Wall Street perdeu cerca de US$ 3 trilhões em valor de mercado na quinta-feira (5 de novembro), na maior queda diária do Nasdaq desde abril de 2025. O Ibovespa, puxado por Vale e bancos, fechou a sexta (6 de novembro) em alta de 1,39%.

O Nasdaq Composite caiu 5,52%, a 24.315 pontos. O S&P 500 recuou 4,36%, e o Dow Jones, 3,44%.

Entre as fabricantes de chips, a Nvidia caiu cerca de 9% e perdeu perto de US$ 400 bilhões em valor de mercado num único dia. AMD e Micron caíram cerca de 17% cada, e Broadcom e Intel recuaram mais de 10%.

Empresas de infraestrutura de dados também foram castigadas: Nebius caiu cerca de 15%, e CoreWeave, cerca de 10%. Entre as big techs, Meta caiu 4%, Microsoft, 3,6%, e Amazon e Alphabet, 2,2% cada.

O motivo apontado pela maioria das análises não é só dúvida sobre o retorno dos bilhões investidos em IA: é a vitória democrata nas eleições de meio de mandato, em distritos onde cresceu a oposição a novos centros de dados.

Analistas do banco UBS estimam que 30% da expansão de centros de dados prevista até 2028 pode atrasar, por causa da expectativa de regulação mais rígida e de restrições ambientais ligadas ao consumo de água e energia.

Por que o Ibovespa não sentiu o tombo

O Ibovespa fechou a sexta-feira (6 de novembro) em alta de 1,39%, aos 168.498 pontos, puxado pela valorização de Vale e dos bancos.

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"O Ibovespa é um índice de commodities, bancos e economia doméstica, sem exposição relevante ao tema que move Wall Street", resume o analista Bruno Marin.

O que acontece agora

O tombo já se espalhou para outros mercados: na Ásia, o Kospi acionou o circuit breaker e o Nikkei entrou em bear market na mesma sexta-feira.

A questão em aberto é se a venda de ações de IA foi um ajuste pontual ou o início de algo maior. Em outubro, a FGV Ibre já apontava a bolha de IA como risco maior que os juros para a economia americana.

Por quanto tempo o Brasil fica imune

A distância entre os dois mercados é real, mas não é garantia para sempre. O Ibovespa escapou do tombo de sexta porque não tem bancos como Nvidia, que chegou a se aproximar de valer US$ 6 trilhões antes da queda.

A pergunta que fica é até quando essa distância protege o investidor brasileiro, se o capital estrangeiro que hoje foge da IA decidir também reduzir a exposição a mercados emergentes como um todo.