Pessoas que têm jardim substancial em casa têm 6,8% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2, segundo estudo publicado na revista BMC Public Health. A pesquisa, liderada pela Universidade de Queensland, usou dados de centenas de milhares de participantes do UK Biobank, no Reino Unido.

Ao todo, foram 423.282 pessoas acompanhadas por uma média de 15 anos. Quem morava perto de 3 ou mais parques, num raio de 800 metros de casa, teve 5,7% menos risco de diabetes tipo 2.

A distância até o parque mais próximo não importou.

Por que o jardim pode fazer diferença

O jardim em si não evita o diabetes: a associação provavelmente é indireta. Quem mora perto de áreas verdes tende a ser mais ativo fisicamente, menos sedentário e tem menor exposição a poluentes, segundo a geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita.

Quem usa espaços verdes costuma ser mais fisicamente e socialmente ativo, geralmente tem menor exposição a poluentes e é menos sedentário.

Uma rotina mais ativa reduz a gordura corporal e a resistência à insulina, dois fatores ligados ao diabetes tipo 2. Há também evidências de que o contato com áreas verdes reduz o cortisol e a pressão arterial.

O mecanismo exato ainda é incerto. Não está claro por qual via isso acontece nem que tipo de uso das áreas verdes tem esse efeito, pondera a geriatra.

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O que os pesquisadores não conseguiram provar

O estudo também pode refletir diferenças socioeconômicas: bairros com mais áreas verdes costumam ter melhor acesso a serviços de saúde, alimentação de melhor qualidade e mais oportunidades para atividade física, segundo os pesquisadores.

Os autores concluem que a exposição a jardim residencial privado e um maior número de parques ao redor de casa reduzem a incidência de diabetes tipo 2, com implicações para o planejamento urbano e a saúde pública.

No Brasil, cidades têm investido em mais áreas verdes, ainda que o foco inicial costume ser outro, como o controle de enchentes.

A caminhada é um dos mecanismos citados pelos pesquisadores: o exercício é associado a benefícios para o corpo e a mente que vão além do controle de peso.

A prevenção pelo ambiente é diferente do tratamento medicamentoso: a Anvisa aprovou recentemente um remédio semanal que une insulina e semaglutida para quem já tem a doença.