O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse à Folha de S.Paulo, em entrevista concedida em Miami, que pretende ser candidato à Presidência em 2030 com aval do PL. Foi a primeira entrevista dele desde que deixou o Brasil, após perder a eleição para Lula.

A entrevista foi dada na quinta-feira (5 de novembro) e publicada na sexta-feira (6 de novembro).

Flávio condiciona a própria candidatura ao aval do PL e disse que, se o pai voltar a ser elegível, é ele quem disputaria no lugar do filho.

Jair Bolsonaro está inelegível e cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, imposta pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

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Todos podem se candidatar. Se houver eleição antes, tenho esse direito; em 2030, também, se eu quiser e o partido concordar.

Sobre o pai, Flávio foi direto: "Se ficar elegível, é o meu candidato", disse à Folha. Para se candidatar, ele depende de dois fatores fora do seu controle: o aval do partido e a situação do pai na Justiça.

Flávio também mirou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado pela direita como opção para 2030. Ele contou que avisou o aliado, em conversa após a eleição, que pretende ser candidato caso haja nova disputa presidencial.

"Não concordo, não sou obrigado a concordar com tudo que ele fala", declarou, numa referência a Tarcísio ter reconhecido a vitória de Lula no 2º turno.

Na mesma entrevista, Flávio reafirmou que não tem como comprovar fraude no resultado da eleição que perdeu.

"Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto", disse, no mesmo tom da entrevista que deu um dia antes.

O que diz Tarcísio sobre 2030

Tarcísio não descarta a própria candidatura em 2030, mas prioriza o mandato em São Paulo. Ele afirmou, em entrevista ao Estadão no dia 29 de outubro, que vai cumprir o segundo mandato como governador antes de decidir sobre uma disputa presidencial.

"A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou terminar o segundo mandato aqui no Estado de São Paulo", disse o governador.

Foi a primeira vez que o governador admitiu publicamente a possibilidade de disputar o Planalto. Ele também revelou que, antes de Flávio deixar o país, aconselhou o colega de partido a ficar no Brasil.

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"O conselho que nós demos a ele, os advogados, eu, Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas, foi que ficasse", contou Tarcísio.

O que acontece agora

Flávio deixou o Brasil dois dias após a derrota e segue nos Estados Unidos, de onde concedeu a entrevista. Disse que vai aprender com os erros do pai e evitar repeti-los.

A candidatura de 2030 depende ainda da definição, dentro do PL, de quem lidera o campo da direita. A disputa passa também pela situação jurídica de Jair Bolsonaro, hoje preso, e pelo indulto que Flávio já defendeu publicamente e que esbarra no STF.