O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao jornal Washington Post publicada no sábado (7 de novembro), que o presidente Donald Trump está convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena. Trump não confirmou a declaração.
"Trump está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena", disse Flávio ao Washington Post.
O senador não detalhou quando teria conversado com Trump sobre o assunto. A entrevista foi concedida na quinta-feira (5 de novembro), na Flórida.
Nela, ele criticou o funcionamento das instituições brasileiras e disse que nos Estados Unidos pode falar sem medo de ser preso.
"As instituições americanas ainda funcionam. Já no Brasil, elas deixaram de funcionar", declarou Flávio.
Ele também comparou sua situação à do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e à de Trump. Os três contestaram derrotas ou decisões eleitorais, mas só Jair foi condenado, pelo STF, por tentativa de golpe de Estado.
Flávio deixou o Brasil no fim de outubro, depois de ser derrotado por Lula no 2º turno das eleições, no domingo (25 de outubro). Ele também não entregou os passaportes a tempo, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Ele questiona a legitimidade da eleição sem apresentar provas de fraude. O Tribunal Superior Eleitoral, porém, já afirmou que a votação ocorreu dentro da normalidade.
Publicidade
Mesmo assim, Flávio foi desmentido mais de uma vez ao repetir acusações contra a apuração. Uma reportagem publicada no mesmo sábado (7 de novembro) mostra o senador alegação falsa sobre a vitória de Lula.
O que muda na vida do senador
Na prática, Flávio diz que ainda precisa regularizar sua situação imigratória nos Estados Unidos antes de decidir os próximos passos, sem data para voltar ao Brasil. "Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva", declarou ao Washington Post.
O secretário de Estado americano Marco Rubio já confirmou que Trump autorizou a permanência de Flávio no país por razões humanitárias.
Ainda assim, o visto que ele usa é de um tipo negado em quase 85% dos pedidos analisados pelo governo americano.
O Washington Post já tinha publicado, no sábado (31 de outubro), um editorial que classificou como "perseguição" o tratamento dado à família do candidato derrotado. O texto defendia que Flávio "deveria estar se preparando para liderar a oposição, não se instalando no sul da Flórida".
Do lado do governo brasileiro, a leitura é outra. A saída do país após a derrota eleitoral levou o Planalto a adotar uma postura cautelosa sobre a indicação do novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília. Aliados de Lula compartilham essa avaliação.
Integrantes do governo avaliam que Flávio perdeu força política ao deixar o Brasil. Parlamentares da base governista reafirmam a legitimidade do resultado das urnas.
O que acontece agora
Flávio tem mandato no Senado até 31 de janeiro de 2027. Sua permanência no exterior levanta dúvidas sobre como vai exercer as atividades parlamentares nos próximos meses, incluindo comissões e relatorias sob sua responsabilidade na Casa.
Ele não informou data para retornar ao Brasil nem qual será seu papel na oposição a Lula.






























