A Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) suspendeu, em publicação no Diário Oficial de terça-feira (3 de novembro), o serviço de patinetes elétricos compartilhados da empresa Jet em Fortaleza, após identificar irregularidades como abandono de equipamentos em calçadas e falta de dados sobre acidentes.
A Jet não pode mais oferecer o aluguel de patinetes via aplicativo na cidade e deve recolher os equipamentos das ruas. O serviço de micromobilidade foi regulado em Fortaleza por decreto em maio de 2025, mês em que a empresa começou a operar na cidade.
As regras permitiam circular só em ciclovias e ciclofaixas, com limite de velocidade, e proibiam o uso em calçadas.
Segundo a AMC, a Jet descumpriu o decreto em vários pontos: patinetes abandonados em calçadas, atrapalhando pedestres; sinalização inadequada nos pontos de estacionamento; e a falta de entrega da base de dados de ocupação das estações e do registro de acidentes.
A empresa apresentou uma pesquisa de satisfação com apenas 96 entrevistados, amostra que a autarquia considerou sem significância estatística diante do total de usuários cadastrados. Entre os respondentes, 11% disseram ter sofrido acidentes com o equipamento.
O índice de acidentes chamou a atenção da autarquia porque veio da própria pesquisa que a empresa apresentou para se defender. Antes do descredenciamento, o setor de micromobilidade compartilhada já enfrentava desafios de adoção em várias cidades do país.
O que diz a AMC sobre as notificações
A AMC disse ao jornal O Povo que notificou a Jet repetidamente sobre as irregularidades identificadas, mas a empresa não adotou as medidas necessárias para corrigi-las antes do descredenciamento, publicado no Diário Oficial em 3 de novembro.
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Outras cidades vêm criando regras próprias para o setor: a Câmara de São Lourenço (MG) aprovou regulamentação para patinetes e bicicletas elétricas neste ano, movimento parecido com o que Fortaleza fez em 2025.
O que acontece agora
Três dias depois do descredenciamento, patinetes da Jet ainda estavam estacionados em calçadas de Fortaleza na sexta-feira (6 de novembro). A AMC informou que a empresa já começou a recolher os equipamentos, mas não deu prazo para concluir a retirada.
O mercado de compartilhamento de bicicletas e patinetes no Brasil segue atraindo investimento apesar dos entraves regulatórios. A concorrente Tembici recebeu R$ 340 milhões em financiamento do BNDES em junho.






























