O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência, repetiu alegações falsas em entrevista à Folha de S.Paulo na sexta-feira (6 de novembro). Ele disse que a vitória de Lula no 2º turno é "matematicamente impossível" e que não é permitido investigar o resultado.

Acho que o mundo percebeu que algo muito estranho aconteceu no Brasil. Não tem nenhuma explicação matemática para o Lula ter tido aquela votação a mais que ele teve em relação ao primeiro turno. É impossível não ser manipulação de resultado. A gente nunca vai saber porque não deixam investigar.

O UOL Confere classificou a fala como falsa.

O 2º turno teve 4,8 milhões de votos válidos a mais que o 1º turno, batendo a menor abstenção em 20 anos.

A abstenção caiu entre os dois turnos, o que representou cerca de 3 milhões de votos a mais. Os votos brancos e nulos também caíram, somando 1,8 milhão de votos válidos a mais.

Somados aos votos dos demais candidatos do 1º turno, a margem de crescimento disponível para os dois concorrentes do 2º turno chegou a 14,1 milhões de votos.

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"Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto", disse o senador na mesma entrevista.

O UOL Confere também classificou essa fala como falsa. Não é verdade que é proibido investigar denúncias de fraude eleitoral no Brasil, e o histórico recente mostra o contrário.

Até as 106 urnas sem voto registrado para Flávio, outro alvo de suspeita, já foram checadas e explicadas.

Por que a alegação de censura também é falsa

Em 2022, o próprio partido de Flávio apresentou um relatório questionando as eleições daquele ano, quando seu pai perdeu, mas o documento era baseado em mentiras. As Forças Armadas, sob o governo Bolsonaro, também investigaram a votação e não provaram fraude.

O mesmo padrão se repetiu agora: um relatório que usa dados do TSE para alegar fraude já havia circulado antes da entrevista.

Em 2014, o PSDB, derrotado na eleição presidencial, pediu auditoria ao TSE. O relatório produzido pelo partido concluiu que não foi possível identificar fraude na votação daquele ano.

Até hoje, nenhuma fraude na urna eletrônica foi comprovada no Brasil. O sistema foi adotado depois de uma fraude em votos de papel no Rio de Janeiro, em 1994.

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Na mesma entrevista, concedida a Glenn Greenwald, Flávio também disse acreditar que aliados duvidam do resultado, mas evitam falar por medo, sem citar nomes ou provas.

O que mais Flávio alegou aos jornais

Flávio também deu entrevista ao The New York Times, publicada na quinta-feira (5 de novembro). Ele repetiu a tese da fraude e alegou sofrer perseguição política, citando as investigações por lavagem de dinheiro e corrupção contra ele.

O senador citou ainda a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para a apreensão de seu passaporte. Foi depois de não cumprir essa ordem que ele embarcou para os Estados Unidos, onde recebeu visto para toda a família.

O NYT classificou as alegações como ecos de teorias conspiratórias já desmentidas. O jornal destacou que especialistas internacionais consideram o sistema eletrônico de votação brasileiro um dos mais seguros do mundo. 27 partidos já reconheceram a vitória de Lula, inclusive legendas de oposição.