O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a renúncia ao cargo na quinta-feira (5 de novembro), em meio à crise do banco Ueno, que deixou 3 milhões de clientes sem acesso às contas. O Congresso vota a renúncia às 17h, em Brasília.
Quem assume o cargo é o vice-presidente Pedro Alliana. "Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país", disse Peña.
A crise começou na segunda-feira (2 de novembro), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno.
O órgão constatou que o índice de solvência da instituição havia caído abaixo de 50% do mínimo exigido por lei. O banco fechou as portas no dia seguinte, terça-feira (3 de novembro).
Como a crise do banco Ueno derrubou o governo
O Ueno quebrou por conceder empréstimos a empresas do próprio grupo controlador, o Grupo Vázquez, prática que tem limite legal porque deixa o dinheiro de correntistas financiar os negócios dos donos do banco. Peña foi acionista do grupo até março de 2025.
A oposição o acusa de conflito de interesse, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários. O banco concentrava US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do instituto de previdência do Paraguai.
Trinta e cinco deputados já haviam pedido o impeachment de Peña na quarta-feira (4 de novembro). No mesmo dia em que o banco fechou, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo.
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Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente: o senhor é a origem desse monstro que criou.
A frase é da deputada opositora Rocío Vallejo, durante a sessão da Câmara paraguaia que discutia o processo contra Peña. O guarani se desvalorizou 5,2% na semana, cotado a 6.525 por dólar.
O que muda para brasileiros na fronteira
Brasileiros e "brasiguaios" com conta no banco, sobretudo em Ciudad del Este, estão entre os clientes sem acesso ao dinheiro. Não há contagem oficial de quantos foram atingidos.
O Ueno respondia por boa parte do fluxo eletrônico das multilojas da região. Segundo associação do setor, duas em cada três operações nesses comércios passavam por contas do banco.
Luis Tavella, presidente da Federação Paraguaia de Micro, Pequenas e Médias Empresas, afirmou que pequenos negócios ficam comprometidos por 15 a 30 dias sem acesso aos recursos. A Associação de Importadores e Comerciantes de Ciudad del Este alertou para risco de semiparalisação do mercado.
Avaliações de mercado apontam baixo potencial de contágio para o sistema financeiro brasileiro. Mas há risco concreto para o comércio e para investimentos de empresas do Brasil no país vizinho, onde cresceu a busca de brasileiros por residência.
O Banco Central do Brasil e o Itamaraty não haviam se manifestado sobre a crise até a publicação desta matéria.
O que acontece agora
O Congresso paraguaio ainda precisa aceitar formalmente a renúncia de Peña na quinta-feira (5 de novembro). Mesmo com a saída anunciada, os deputados podem optar por seguir com a destituição forçada.
O próprio vice-presidente Pedro Alliana, que assume o país, também responde a um processo de impeachment na Câmara baixa.
































