O Escudo das Américas é uma coalizão liderada pelos Estados Unidos, lançada por Donald Trump em março, para combater o crime organizado na região. A aliança reúne 13 países latino-americanos contra 24 grupos criminosos, incluindo o PCC e o Comando Vermelho. O Brasil não aderiu.

O acordo foi fechado em 7 de março, no resort Trump National Doral, na Flórida. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, os objetivos são impedir interferência estrangeira no hemisfério, combater cartéis e conter a imigração ilegal.

Um segundo acordo, de 22 de setembro, detalha as sanções. Elas incluem congelamento de bens, restrição de vistos e punição a quem der apoio material aos grupos listados, com medidas que variam conforme a lei de cada país-membro.

Participam também Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e outros países da América Central e do Caribe.

O Brasil ficou de fora.

Por que o Brasil não entrou no Escudo das Américas?

O governo Lula recusou aderir por considerar que a iniciativa fere a soberania nacional. O assessor de política externa Celso Amorim afirmou que o Brasil apoia cooperar no combate ao tráfico, mas rejeita entregar aos Estados Unidos o poder de intervir no país.

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Para Flávio, o caminho é o oposto. Ele defende colocar o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito e aponta benefícios como troca de inteligência e monitoramento financeiro contra as facções.

"Ele foi para lá para defender CV e PCC, pelo amor de Deus!", declarou Flávio durante o debate.

O senador acusava Lula de ter viajado aos Estados Unidos para impedir que as facções fossem classificadas como organizações terroristas.

Por que o Brasil tem peso nessa disputa?

Porque Lula também questionou se Flávio pretende entregar aos americanos o controle sobre minerais críticos e terras raras do Brasil, usados em baterias, chips e celulares.

O Brasil tem 23% das reservas mundiais de terras raras, a segunda maior do planeta, atrás apenas da China. É também dono de 94% das reservas de nióbio e da segunda maior reserva de grafita.

Mas o país quase não explora essas riquezas. Produziu apenas 20 toneladas de terras raras em 2024, menos de 1% das 390 mil toneladas extraídas no mundo todo.

O Brasil discute uma aliança de segurança sem ter resolvido o que fazer com a riqueza mineral que também está em jogo nela.

O ponto em aberto

A disputa expõe um dilema que vai além do debate. Cooperar com uma aliança estrangeira contra o crime organizado pode trazer inteligência e tecnologia, mas também levanta a pergunta sobre até onde vai a soberania sobre decisões de segurança e sobre recursos minerais estratégicos.

Treze países da região já fizeram essa escolha; o Brasil, até aqui, fez a escolha oposta. Falta saber qual caminho o próximo governo vai seguir diante de uma aliança que já envolve quase toda a vizinhança do país.