O Senado do Paraguai retoma na sexta-feira (6 de novembro), às 10h, o julgamento de impeachment do presidente Santiago Peña, aberto após a crise do Ueno Bank, banco que faliu com cerca de 3 milhões de clientes e deixou brasileiros sem acesso às contas.

É a 2ª sessão do julgamento. Na 1ª, na noite de quinta-feira (5 de novembro), o Senado recebeu as denúncias e elegeu o comitê de parlamentares responsável pelo caso.

O banco, do Grupo Vázquez, concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos da Previdência paraguaia.

A Câmara dos Deputados aprovou a abertura do impeachment por unanimidade, depois que a sessão conjunta do Congresso, convocada para tratar a renúncia de Peña, ficou sem quórum na quinta-feira.

Em mensagem publicada na rede social X depois de anunciar a renúncia, Peña disse que vai exercer o direito de defesa. "Não por uma questão de orgulho pessoal, mas porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio", escreveu.

A cidadania merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei.

Por que o Paraguai rejeitou a renúncia de Peña

No Paraguai, ex-presidentes que concluem o mandato ou renunciam ganham o título de senador vitalício, com imunidade parlamentar pelo resto da vida. Parlamentares da oposição temiam que isso blindasse Peña das investigações sobre a quebra do Ueno Bank.

A Câmara aprovou a abertura do processo horas depois de Peña anunciar a renúncia ao cargo, que não chegou a ser votada pelo Congresso por falta de quórum.

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Caso condenado, Peña perde o mandato e também o direito ao título de senador vitalício. A consequência seria diferente se a renúncia tivesse sido aceita, ou se ele for absolvido.

O que acontece agora

O julgamento segue em cinco sessões extraordinárias: depois da defesa da sexta-feira (6 de novembro), os senadores analisam provas, ouvem os argumentos finais e votam. Para afastar Peña são necessários 30 dos 45 votos, dois terços do Senado.

Se condenado, o vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência até agosto de 2028, fim do mandato. Se absolvido, Peña permanece no cargo.

Peña argumenta que o ressarcimento dos poupadores do Ueno Bank não deve ficar condicionado ao resultado do processo político contra ele.

A crise do banco já deixou brasileiros que vivem no Paraguai sem acesso às próprias contas, entre eles estudantes e pequenos empresários.