O Irã afirmou na segunda-feira (2 de novembro) que pode reabrir o Estreito de Ormuz em até dois dias, prazo menor que os sete anunciados antes, caso os Estados Unidos aceitem suas condições. Quem informou foi o porta-voz do Itamaraty iraniano, Esmaeil Baqaei.

"A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da boa-fé do Irã", disse Baqaei. Ele afirmou que a troca de mensagens com os americanos segue por mediadores.

"Tudo depende" de Washington aceitar as exigências de Teerã, completou o porta-voz.

O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de petróleo do mundo. Desde que a guerra foi deflagrada por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro, Teerã restringe a navegação pela via.

O que o Irã está pedindo aos EUA?

O Irã quer um cessar-fogo regional, o desbloqueio de ativos iranianos no exterior, o fim das sanções ao petróleo do país e a suspensão do bloqueio a seus portos. São condições apresentadas por Teerã em setembro, por meio do Catar.

No domingo (1º de novembro), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, acrescentou duas exigências em entrevista à Al Jazeera: que Washington aceite a nova rota acertada entre Irã e Omã para a passagem de navios e reduza a presença militar no Oriente Médio.

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Os confrontos diminuíram desde setembro. Ainda assim, Estados Unidos e Israel, ambos em períodos eleitorais, já ameaçaram retomar os ataques contra o Irã.

O que muda no preço da gasolina no Brasil?

A crise em Ormuz já pressiona o combustível no país. Segundo análise do economista Rafael Furlanetti à CNN Brasil, existe hoje um gap de 15% a 16% entre o preço da gasolina no Brasil e a paridade internacional.

Isso empurra a Petrobras a decidir se repassa o aumento ao consumidor. Furlanetti afirma que, se o impasse em Ormuz elevar o barril para além de US$ 100, a inflação também sofre pressão.

"Se impactar a inflação, o Banco Central não vai cortar a taxa como pensávamos", disse o economista. O petróleo já está na maior cotação em seis meses, o que encarece o crédito para construção, varejo e compras a prazo.

A Petrobras diz não usar o Estreito de Ormuz em suas operações. Mesmo assim, segundo Furlanetti, o efeito da crise no bolso do brasileiro está mais perto do que parece.

O Tesouro Nacional pode arrecadar entre R$ 10 bi e R$ 15 bi adicionais com a alta do petróleo. É um ganho que tende a ser anulado pelo efeito negativo da inflação sobre o crescimento.

O impasse em Ormuz já custou R$ 14 bi ao governo brasileiro desde o início do ano. O país já precisou estender o subsídio ao diesel para conter o repasse aos postos.

O que acontece agora

A reabertura em dois dias só começa a contar a partir do momento em que os EUA topem as condições iranianas — o que ainda não ocorreu. Até lá, o bloqueio no Estreito de Ormuz segue valendo.