A deputada democrata Haley Stevens declarou apoio ao republicano Mike Rogers na disputa pelo Senado de Michigan, no domingo (1º de novembro), dois dias antes da eleição de meio de mandato que decide o controle do Congresso dos Estados Unidos.

Stevens perdeu a prévia democrata para o Senado em Michigan para Abdul El-Sayed, numa disputa acirrada, e apareceu ao lado de Rogers numa igreja em Detroit.

Meu lugar não é na campanha do Abdul.

Disse Stevens, em vídeo publicado nas redes sociais.

O apoio ocorreu no mesmo dia em que ela estava programada para aparecer ao lado de El-Sayed numa demonstração de unidade partidária. O evento foi cancelado depois que Stevens pediu a ele que condenasse um anúncio de grupo externo que, segundo ela, culpa Israel.

Horas depois, em comício em Iowa, Trump convidou Stevens a se filiar ao Partido Republicano. Chamou o apoio dela de "uma atitude inteligente" e disse que El-Sayed "destruiria nosso país", segundo a CNN Brasil.

Nas urnas de terça-feira (3 de novembro), 35 das 100 cadeiras do Senado e todas as 435 da Câmara dos Representantes estão em disputa. Os republicanos têm maiorias estreitas nas duas casas, e a aprovação de Trump está na pior marca desde 2002.

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O que a história das midterms diz sobre esta eleição?

A história não favorece o partido no poder. Desde 1946, ele perdeu cadeiras na Câmara em 18 das 20 eleições de meio de mandato, com média de 27 cadeiras perdidas, segundo análise da Universidade de Santa Bárbara.

O padrão foi quebrado em poucas ocasiões: em 1934, com o otimismo do New Deal de Franklin Roosevelt; em 1998, após o impeachment de Bill Clinton; e em 2002, com a onda de patriotismo pós-11 de Setembro, no governo George W. Bush.

As pesquisas de Michigan, porém, não mostram efeito do apoio de Stevens. A média do RealClearPolling, de 15 de outubro a 1º de novembro, aponta El-Sayed com 50,1% contra 44,8% de Rogers.

Mesmo perdendo uma aliada de peso dentro do próprio partido, o candidato democrata segue favorito nas pesquisas: levantamentos da CNN e do YouGov, feitos entre 20 e 29 de outubro, confirmam vantagem de El-Sayed entre 4 e 7 pontos.

O que acontece agora

Os eleitores americanos votam na terça-feira (3 de novembro) para renovar toda a Câmara e 35 cadeiras do Senado. O resultado decide se os republicanos mantêm maioria no Congresso pelos dois últimos anos de Trump no poder.

No Brasil, o resultado importa porque um Congresso dividido pode travar o tarifaço que Trump aplica a produtos brasileiros.

Se os democratas assumirem uma das duas casas, também podem abrir investigações sobre o governo. A Casa Branca já prepara um plano para governar sem depender do Legislativo.

O ponto em aberto

A pergunta que o caso Stevens deixa é se mais defecções de última hora vão aparecer até terça-feira. Num Senado que pode ser decidido por poucas cadeiras, um apoio como o dela tem peso desproporcional num pleito apertado.