O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou no sábado (31 de outubro) que qualquer ataque dos Estados Unidos ou de Israel receba resposta "imediata, de alto impacto e sem restrições geográficas". Ele ordenou a atualização da lista de alvos militares dos dois países.

A ordem foi dada em reunião com o alto comando das Forças Armadas, que relatou estado de prontidão elevado no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e nas fronteiras do país, além de aumento na produção de munições.

O comunicado chega em meio a relatos da imprensa americana sobre uma possível retomada de ataques dos EUA logo após as eleições de meio de mandato, terça-feira (3 de novembro). É o mesmo cenário que Trump já havia prometido em setembro.

Por que o cessar-fogo já quebrou duas vezes

Um cessar-fogo entre EUA e Irã foi firmado em abril de 2026 e estendido em junho, após memorando de entendimento entre Washington e Teerã. A trégua foi rompida em julho, com novos ataques americanos que se repetiram em agosto.

Mediadores do Catar voltaram a Teerã na sexta-feira (30 de outubro) para tentar um novo acordo. O Irã propôs suspender o bloqueio aos portos do país em troca da reabertura, em sete dias, da navegação pelo Estreito de Ormuz, mas Trump rejeitou a proposta.

No Diálogo de Manama, no Bahrein, o vice-chanceler saudita Waleed ElKhereiji disse que a região "quer trazer a paz de volta". Já o chanceler egípcio Badr Abdelatty alertou que uma nova rodada "seria mais perigosa, mais destrutiva e não levaria a lugar nenhum".

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O que a guerra tem a ver com o Brasil

O conflito começou em 28 de fevereiro de 2026, quando EUA e Israel atacaram o Irã e mataram o então líder supremo, Ali Khamenei, pai de Mojtaba. Desde então, o Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial, segue praticamente bloqueado.

O aperto no principal fornecedor do mercado chinês abriu espaço para o petróleo brasileiro: o Brasil vendeu US$ 15,1 bilhões em petróleo à China só no 1º semestre de 2026, recorde para o período e alta de 62% sobre 2025.

O volume embarcado subiu 41% e o preço avançou 15,7%, enquanto a produção batia recorde: 4,498 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP. O petróleo já disparara 3% em setembro, quando Trump e o Irã trocaram ameaças na ONU.

O ponto em aberto

A mesma guerra que turbina as exportações brasileiras também concentra as vendas do país em um único grande comprador, o que analistas apontam como risco de dependência em um tabuleiro geopolítico fora do controle do Brasil.

Até aqui, cada tentativa de trégua durou poucos meses antes de ser rompida. Com os EUA prestes a votar e o Irã reforçando a prontidão militar, o próximo capítulo deve se decidir nos dias seguintes à eleição americana.