O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou, na sexta-feira (30 de outubro), o envio de uma comitiva com três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar denúncias de ameaças contra comunidades indígenas no estado, incluindo um áudio que sugere envenenamento de água.

A comitiva é formada pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, pela ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, e pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. No sábado (31 de outubro), os três visitam as aldeias Taquapiri e Sassoró.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), já são mais de 30 casos de violência contra indígenas no estado ligados à eleição. O governo federal já havia criado força-tarefa e acionado a Força Nacional de Segurança Pública.

O que motivou a ida dos ministros?

A mobilização tem como epicentro a Aldeia Sassoró, em Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul, onde a TV Sim Brasil já havia noticiado denúncias de ameaças de racismo e envenenamento feitas pelo povo Terena.

Áudios com ameaças circularam em grupos de WhatsApp depois do segundo turno, no domingo (25 de outubro). Numa das gravações, atribuída a um servidor da prefeitura que não teve o nome divulgado, há referência à possibilidade de colocar veneno na água consumida pelos indígenas.

Tinha que ponhar veneno na água

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que o autor é um funcionário público municipal, mas disse que ele não trabalha no setor de abastecimento nem dirige carros-pipa. Segundo o Metro1, a prefeitura suspendeu o servidor após a repercussão do caso.

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Também há relatos de assassinato em Naviraí e de atropelamento em Coronel Sapucaia, segundo o Metrópoles. O caso se soma a um quadro que o governo contabiliza em pelo menos 10 mortes ligadas à violência política após o 2º turno.

O Ministério Público Federal acompanha o caso, e a Polícia Federal foi acionada para investigar a origem das gravações.

As deputadas federais Sônia Guajajara (PSol-SP) e Célia Xakriabá (PSol-MG) protocolaram um ofício em caráter de urgência cobrando investigação sobre as ameaças.

O que acontece agora

Com o volume alto de mensagens sem relação com o tema, o Ministério dos Povos Indígenas desativou na sexta-feira (30 de outubro) o canal que recebia denúncias de violência contra indígenas.

A partir de agora, a orientação é levar as denúncias ao Disque 100, ao Fala BR ou à ouvidoria do próprio ministério.