Os cães Toddy, Maria Pia e Gael visitaram a ala de internação e a UTI pediátrica do Hospital Santa Catarina, na região central de São Paulo, na quarta-feira (28 de outubro). A visita integra o programa Terapia Cão Carinho, realizado mensalmente no hospital desde fevereiro.

Segundo Getúlio Gregório, gerente assistencial do hospital, a iniciativa "oferece uma pausa em uma rotina marcada por exames, procedimentos, dores e preocupações". Os cães foram acompanhados por responsáveis e por voluntários da associação, que soma 22 pessoas.

Por que o contato com animais reduz o estresse?

A resposta está em pelo menos dois hormônios, segundo a médica-veterinária Cristiane Fraga, pesquisadora e voluntária do Inataa (Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais). Estudos mostram que minutos de contato positivo com pets podem reduzir o cortisol, hormônio ligado ao estresse.

Também aumenta a ocitocina, associada à empatia e à confiança. Vai na mesma linha um estudo recente que encontrou benefícios à saúde comparáveis aos de amigos e família.

Há também pesquisas que registram diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial durante as visitas. Os benefícios não dependem do toque: observar o animal e trocar olhares com ele também pode produzir efeitos positivos, segundo as evidências citadas pela veterinária.

"Nosso objetivo é proporcionar momentos de alegria, acolhimento e descontração, contribuindo para reduzir a ansiedade, o medo e a sensação de solidão", disse Alexandre Simões, educador físico e um dos voluntários da associação.

A resposta ao contato com animais varia de pessoa para pessoa: quem tem medo ou não gosta de interagir com eles pode não sentir os mesmos efeitos.

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Por isso a seleção de pacientes e de animais passa por avaliação prévia, e não é uma visita aberta a qualquer ala do hospital.

Esse tipo de iniciativa é chamado de AAA (Atividades Assistidas por Animais), com caráter recreativo, educativo ou motivacional, e pode ocorrer também em instituições de longa permanência para idosos e em escolas.

Outros hospitais brasileiros já recorrem a animais diferentes: em Goiás, um cavalo da Polícia Militar passou a visitar pacientes como parte da recuperação. Jovens também já usaram o futebol como terapia para superar leucemia e depressão.