O entorno de Lula (PT) voltou a se dividir sobre quem indicar à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), diz a CNN Brasil. Uma ala quer reapresentar o advogado-geral da União, Jorge Messias; outra prefere o ministro do TCU, Rodrigo Pacheco.

A divisão reaparece três dias depois de Lula fechar acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para enviar o nome de Pacheco à sabatina em dezembro.

O acordo fechado com o Senado não encerrou a disputa dentro do próprio Planalto. Quatro ministros do STF fazem lobby pela confirmação de Pacheco, segundo o colunista Lauro Jardim, do O Globo. Um líder da base governista resumiu a pressa do Planalto.

Ele tem que fazer coisas que não conseguirá fazer com facilidade na próxima legislatura.

Por que Messias voltou ao radar

Messias volta ao radar porque parte do entorno de Lula considera o Senado atual mais favorável do que o que assume em 2027, e trata a confirmação como "questão de honra" após a derrota de abril.

O Senado rejeitou Messias em 29 de abril, por 42 votos contrários, 34 a favor e uma abstenção, abaixo dos 41 necessários. Aliados dizem que a reeleição de Lula, com mais de 60 milhões de votos, fortalece a indicação.

O que pesa a favor de Pacheco

Pacheco leva vantagem por ser visto como o "caminho mais tranquilo e garantido" para pacificar a relação com o Senado. Davi Alcolumbre defende o nome desde o início, e ele já é bem avaliado por ministros do próprio STF.

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"A turma mais próxima do Congresso Nacional acredita que o caminho seria pacificar a relação com o Senado Federal", disse o analista de política Matheus Teixeira, da CNN Brasil.

O que acontece agora

A cadeira está aberta desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. Lula ainda poderá indicar três ministros ao STF até 2031, com as aposentadorias de Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Não há data oficial para o próximo nome.

A sabatina de Pacheco na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já está marcada para o início de dezembro, mas a indicação formal de um nome ainda não foi enviada ao Senado. Qualquer escolhido precisa de pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores.

Também circula pressão para que, na cadeira de Barroso, hoje em disputa, assuma uma ministra negra, perfil ausente na composição atual do STF. Simone Tebet, por sua vez, é cotada para uma próxima vaga reservada a mulher.