Dinamarca e Groenlândia elogiaram nesta sexta-feira (18/9) o acordo de segurança fechado com os Estados Unidos. O governo dinamarquês diz que o texto reconhece a soberania do território, ao mesmo tempo que amplia a presença militar americana na região ártica.

"Sob minha orientação, trabalhamos com representantes da Dinamarca e da Groenlândia para garantir que os Estados Unidos terão para sempre plena capacidade de fazer o que for necessário na Groenlândia", escreveu o presidente Donald Trump, na Truth Social.

"É um acordo que fortalece nossa segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte e, portanto, também é bom para a Otan e para a Europa", disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.

Frederiksen também afirmou que o texto "reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação". O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que o acordo respeita os interesses do território e será benéfico a todos.

Pelos termos anunciados por Trump, nenhum adversário dos EUA poderá manter base ou presença militar na Groenlândia, nem fazer investimentos considerados sensíveis, sem autorização do governo americano. Os EUA também vão ampliar a presença militar na ilha.

Antes do anúncio, duas pessoas ligadas às negociações disseram à Reuters que o texto ficaria bem aquém da ambição de Trump de adquirir a ilha. Até a publicação desta matéria, nem a Dinamarca nem a Groenlândia haviam confirmado os termos exatos anunciados por ele.

Por que Trump quer a Groenlândia desde 2019

Trump já havia tentado comprar a Groenlândia em 2019, ideia rejeitada de forma dura por políticos dinamarqueses na época. A ilha, a maior do mundo, tem cerca de 2,17 milhões de km² e apenas 56 mil habitantes, a maioria na capital Nuuk.

O interesse americano também é estratégico. A Groenlândia tem uma das maiores reservas do mundo de terras raras, os 17 elementos usados em eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos militares.

A China controla mais de 90% do processamento global de terras raras, e isso torna a Groenlândia um alvo geopolítico na disputa entre as duas potências. O Brasil também negocia com Trump um acordo sobre o mesmo tipo de mineral.

Os Estados Unidos já mantêm uma base na Groenlândia desde 1951, a Base Espacial de Pituffik, usada para alerta antecipado de mísseis e vigilância por satélite. Com 657,86 km², é a maior base do Pentágono fora do território americano.

A disputa pelo Ártico soma-se a outra frente de tensão da Otan, com a Rússia testando os limites da aliança no Báltico.

O governo brasileiro também tem criticado o que chama de ingerência dos EUA em assuntos de outros países, em episódios recentes na política externa de Trump.

O ponto em aberto

Até a assinatura prevista para a próxima semana, o texto integral do acordo segue fechado, e nem Dinamarca nem Groenlândia confirmaram publicamente os termos exatos anunciados por Trump.

A distância entre o controle "para sempre" descrito por Trump e o acordo mais limitado mencionado por fontes ligadas à negociação só deve ficar clara quando o texto completo for publicado.