O PDT (Partido Democrático Trabalhista) classificou como ilegal a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, nesta terça-feira (27). Em nota, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, diz que a atitude se baseia em falsas alegações contra o sistema eleitoral.

A nota chega um dia depois de o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinar a entrega do passaporte de Flávio à Polícia Federal em até 24 horas, por causa de inquérito que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

No inquérito, o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, também é investigado.

"O Partido Democrático Trabalhista repudia a saída ilegal do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. A atitude é baseada em falsas alegações contra os sistemas eleitoral e jurídico"

O texto, divulgado no site do PDT, cita ainda as condenações do grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

A nota defende que os inquéritos abertos contra Flávio sigam com rigor e respeito ao devido processo legal. "Nenhum projeto de poder está acima da lei", diz o texto.

Como o PL reagiu à saída do senador

O PL convocou uma reunião de emergência após a fuga de Flávio para os EUA, liderada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. O objetivo foi alinhar o discurso do partido diante da repercussão.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, disse à imprensa que o núcleo da campanha não havia sido informado sobre a saída do colega de partido e que ficou surpreendido com a notícia.

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Flávio havia publicado um vídeo na segunda-feira (26) afirmando que nunca pensou em deixar o país e que cumpriria a ordem de Moraes. Nesta terça, porém, aliados afirmaram à imprensa que ele buscou asilo nos Estados Unidos com apoio do governo de Donald Trump.

A versão motivou a reação do PDT e irritou parte da própria base aliada de Flávio.

A saída ocorre dois dias depois de Flávio perder a disputa presidencial para Lula (PT), no segundo turno de domingo (25). Antes de deixar o país, o senador afirmou que não reconheceria o resultado das urnas.

O que acontece agora

O prazo de 24 horas dado por Moraes para a entrega do passaporte venceu sem que a determinação fosse cumprida, já que Flávio havia deixado o país.

Os inquéritos sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas seguem em curso no STF, sem data prevista para conclusão.