O temporal que atingiu Minas Gerais entre domingo (25) e terça-feira (27) deixou mais de 15 mil clientes sem energia até a noite desta terça, segundo a Cemig. A companhia classifica o episódio como o de maior impacto em seus 74 anos de história.

Foram mais de 60 mil descargas atmosféricas em todo o estado, um volume seis vezes maior do que o esperado para uma tempestade habitual, segundo o balanço da companhia. O Inmet já previa tempestade forte para o fim de semana.

Os ventos chegaram a 150 km/h em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, a 105 km/h em Lavras, no Sul de Minas, e a quase 90 km/h em Belo Horizonte.

Do total de 641.412 clientes afetados, 625.848 já tinham energia de volta até a noite de terça, o equivalente a mais de 98%. Na Região Metropolitana de BH, o número de afetados caiu de 380.849 para 6.208.

A Cemig mobilizou cerca de 4,6 mil profissionais para os reparos: troca de equipamentos, reconstrução de trechos da rede e retirada de árvores e galhos que atingiram a fiação.

Em menos de 48 horas, a Cemig restabeleceu o fornecimento para 98% dos afetados, atuando simultaneamente nas regiões mais atingidas, do Alto Paranaíba ao Sul de Minas.

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Por que este temporal foi diferente

Em fevereiro deste ano, outro temporal na Zona da Mata mineira já havia deixado 73 mortos, a maioria em Juiz de Fora. O de outubro foi mais amplo, mas teve caráter elétrico e eólico, sem mortes associadas registradas em Minas.

O estado se prepara para um período chuvoso de alta intensidade entre a primavera e o verão de 2026/2027, por causa do El Niño, segundo o governo de Minas. A Zona da Mata segue entre as áreas de maior atenção.

O que acontece agora

A Cemig segue com equipes mobilizadas para atender os 15.564 clientes que ainda aguardam o religamento, concentrados fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo o balanço desta terça.

O que isso diz sobre a rede elétrica de Minas

O recorde de 74 anos mostra que a rede de distribuição de Minas ainda é vulnerável a eventos climáticos extremos, bem na véspera de um período chuvoso que o próprio governo do estado classifica como de alta intensidade.

A pergunta que fica é se o ritmo de modernização da rede elétrica vai acompanhar a frequência desses temporais.