Denúncias de assédio eleitoral trabalhista saltaram de 1.937 para 2.364 em menos de 48 horas após a reeleição de Lula no domingo (25). A Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT) atribui o salto a mensagens bolsonaristas incentivando demissão de eleitores do petista.

Segundo a Folha, a maioria das denúncias desta semana envolve posts incentivando demissão ou relatando demissão por causa do voto. O movimento foi apelidado de "demita um petista" nas redes.

Listas com nomes de pequenos comércios que apoiaram a reeleição circulam em aplicativos de mensagem e em site que organiza o boicote por estado. A Folha viu listas em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e no interior de SP e MG.

No Paraná, dois parlamentares que fizeram campanha para Flávio Bolsonaro (PL) incentivaram demissões nas redes e foram denunciados ao Ministério Público do Trabalho do estado (MPT-PR) pelo deputado estadual Requião Filho (PDT).

O que fez o caso mais visível do movimento?

O caso mais visível é do vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), eleito deputado federal em 4 de outubro com o 2º maior número de votos da bancada do Paraná.

Em seu perfil no X, ele narrou supostos relatos de demissão por voto no PT e publicou uma imagem com a frase "Demitir petista, gostoso demais".

"Dois dias depois da eleição do Lula, me parece que o movimento 'demita um petista' está mais forte do que nunca, e não sem razão. A maior crise da história do Brasil está batendo a porta e os empresários precisam se planejar"

Em outro trecho do mesmo vídeo, Kilter disse: "Se você precisa fazer um corte de gastos ou uma reestruturação na sua empresa, comece pelos petistas". Nesta terça (27), o MPT expediu uma recomendação para que ele publique uma retratação.

Parte das denúncias já é alvo de procedimentos formais no MPT, segundo a Folha, que não soube informar até a publicação desta matéria quantos casos miram diretamente mensagens de Kilter.

Por que o movimento não é um fato isolado?

A pressão sobre o voto de trabalhadores já vinha crescendo antes do 2º turno. A Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad) e a organização Themis lançaram, ainda em outubro, a campanha "Não Passaremos Pano".

Publicidade

A campanha nasceu contra o assédio eleitoral que já disparava no país, voltada a empregadas domésticas pressionadas por patrões a votar de um jeito determinado.

Até a noite de 22 de outubro, três dias antes da votação, a contagem de denúncias no país já passava de 35 por dia. O MPT também recebeu, na mesma semana, 79 queixas contra supermercados na Bahia por pressão sobre funcionários.

Procurado pela Folha, o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves informou que denúncias podem ser feitas pela internet ao MPT ou presencialmente nas procuradorias regionais.