O PL negocia com partidos do Centrão a divisão das presidências da Câmara e do Senado a partir de fevereiro, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o 2º turno presidencial contra o presidente Lula (PT), decidido daqui a cinco dias.

Pelo acordo em construção, o PL mantém o comando do Senado, a Casa que aprova indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) e julga ministros por crime de responsabilidade. Em troca, o partido cede a presidência da Câmara ao Centrão.

Pelo PL, disputam o comando do Senado o senador eleito Rogério Marinho (RN), chefe da campanha de Flávio, e Arthur Lira (AL), deputado eleito senador e ex-presidente da Câmara.

Para a Câmara, o Centrão articula a candidatura de Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro de Portos e Aeroportos reeleito deputado com 170 mil votos.

"Atendeu todo mundo na Câmara", diz o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, sobre Costa Filho. O cargo hoje é ocupado por Hugo Motta.

Por que o Senado pesa tanto nessa disputa?

O Senado pesa porque é a Casa que aprova ou rejeita indicados ao STF e pode abrir crime de responsabilidade contra ministro da Corte. A reportagem apurada cita o ministro Alexandre de Moraes como alvo mais cotado de um pedido de impeachment.

Flávio já havia pedido votos a senadores a favor do impeachment de Moraes, segundo matéria de 3 de outubro. O vice de Flávio na chapa, Alfredo Gaspar (AL), teria sido escolhido para não atrapalhar os planos de Lira no Senado.

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O acordo todo depende de um resultado que ainda não saiu: a eleição só termina domingo (25), e as siglas negociam a partir da hipótese de que Flávio vença.

O PL chega à negociação como maior bancada do Congresso desde a redemocratização, o que reforça seu peso de barganha.

O que acontece agora

O 2º turno decide a disputa neste domingo (25). Se Flávio vencer, PL e Centrão pretendem selar o acordo logo após a eleição, com votação marcada para fevereiro nas duas Casas.