O Smart Sampa, sistema de câmeras da Prefeitura de São Paulo, deixou exposto dados que davam acesso indevido a mais de 58 mil câmeras por cerca de 11 meses, segundo investigação do UOL. O vazamento expôs dados de mais de 6 mil agentes de segurança.
Havia um repositório público com pelo menos 181 logins e senhas de usuários autorizados, além de instruções para reproduzir a interface do sistema em computador ou celular. O acesso permitia consultar nomes, CPFs, placas de veículos e boletins de ocorrência.
Vazamento de dados sensíveis não é exclusividade do Smart Sampa: outro episódio neste ano já havia exposto dados de saúde de 500 mil pessoas.
A prefeitura atribuiu a falha a um vazamento ilegal cometido por um servidor, que foi identificado e afastado. A conduta é apurada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana, e a gestão Nunes diz ter adotado senhas exclusivas e autenticação de dois fatores depois do episódio.
Este não é o primeiro alerta sobre o sistema
Uma pesquisa do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin), do Instituto Peregum e da Rede Liberdade já tinha identificado 23 pessoas conduzidas indevidamente por falhas no reconhecimento facial e 82 presas e depois liberadas pelo mesmo sistema.
O Smart Sampa aprofunda desigualdades raciais e geográficas, reforçando um modelo de segurança pública que criminaliza determinados corpos.
diz Beatriz Lourenço, do Instituto Peregum. Para o pesquisador Pedro Diogo, do Lapin, "quanto mais se aprofunda a avaliação sobre o Smart Sampa, mais se questiona a razão de sua existência".
O sistema virou tema nacional depois que o senador Flávio Bolsonaro prometeu, no debate presidencial de domingo (18), levar o modelo a todo o país como "Smart Brasil", com meta de 1 milhão de câmeras conectadas entre estados.
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Segurança pública é justamente um dos temas em que mais as propostas de Flávio e Lula se distanciam no 2º turno.
O que a falha ainda não responde
A exposição de dados não muda a proposta no papel, mas expõe uma pergunta que o modelo paulista ainda não respondeu: quem garante que uma versão nacional, com bancos de dados integrados entre estados, não vai repetir a mesma falha em escala maior?
Nem a prefeitura nem a campanha de Flávio detalharam, até agora, como pretendem evitar esse tipo de vazamento se o sistema crescer do tamanho de uma cidade para o de um país.





























