O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), frequentava a casa de Daniel Vorcaro em Brasília mesmo quando o fundador do Banco Master não estava na capital, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas nesta terça-feira (29) pelo Poder360.

As mensagens mostram visitas desde antes de fevereiro de 2025, quando Motta assumiu o comando da Câmara. O primeiro registro localizado é de 21 de outubro de 2024.

Na ocasião, Motta disse a Vorcaro que estava "aqui do lado" e perguntou se poderia levar uma pessoa identificada apenas como "Arthur". Vorcaro respondeu: "Claro. A casa é sua".

O imóvel fica no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Motta e Vorcaro se tratavam como "irmãos", e o deputado tinha acesso à casa mesmo com o dono ausente.

Em junho de 2025, Motta perguntou se podia ir à residência. Vorcaro disse que teria um almoço e seguiria depois para o aeroporto, e que a casa estaria "liberada".

O motorista de Vorcaro era acionado com frequência para receber Motta na casa, em datas de junho a setembro de 2025. Na véspera da primeira prisão de Vorcaro pela PF, em 17 de novembro, o motorista avisou que esperava recebê-lo novamente.

Motta é o único político ligado a Vorcaro?

Não. Em julho, a PF apontou 74 ligações entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e um ex-sócio de Vorcaro, com indício de vantagens econômicas indevidas.

O caso de Motta é diferente: as mensagens mostram proximidade pessoal, mas não apontam, até aqui, vantagem financeira ou irregularidade cometida por ele.

O caso Vorcaro é o centro da maior quebra bancária do país. O rombo do Banco Master chegou a R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, e já mudou a rotina política em Brasília desde a primeira prisão de Vorcaro.

Procurada pelo Poder360, a assessoria de Motta disse que ainda não há posicionamento. A defesa de Vorcaro também foi procurada e não respondeu até a publicação da reportagem.

O ponto em aberto

Motta preside a Casa que decide se e quando o Congresso vai aprofundar a investigação sobre o colapso do Banco Master. As mensagens não mostram irregularidade cometida por ele, mas expõem uma proximidade pessoal com o alvo central de uma fraude bilionária.

Fica em aberto se essa proximidade pesou, ou pesa, nas decisões da Câmara sobre a pauta do caso.