A polícia portuguesa desmontou nesta terça-feira (20) um acampamento de manifestantes contra a crise de moradia na Praça do Rossio, em Lisboa, após confrontos que deixaram cerca de 30 feridos e vários detidos, segundo porta-vozes do movimento, que também ocupava o centro do Porto.
Os manifestantes acusam o governo português de não agir contra a crise da habitação e de facilitar despejos de inquilinos por meio de uma reforma do mercado de aluguéis, aprovada pelo Parlamento em primeiro turno em setembro.
É um caminho oposto ao que a vizinha Espanha vem tomando com os despejos.
Os ocupantes formaram uma corrente humana para tentar atrasar a ação policial. Depois do confronto, quase 100 pessoas decidiram, em assembleia geral, manter o movimento. No Porto, o acampamento foi desmontado pelos próprios manifestantes, diante da ameaça de intervenção policial.
Por que isso pesa também no bolso de brasileiros?
Lisboa lidera o ranking dos aluguéis mais caros de Portugal, com preço médio acima de 20 euros por metro quadrado. Em 2026, o reajuste legal pode chegar a 2,24%.
Um apartamento de um quarto no centro, que custava em média 1.413 euros, pode passar dos 1.444 euros. Os brasileiros já somam 494 mil em Portugal, quase um terço dos estrangeiros no país.
Para muitos recém-chegados, o aluguel sozinho consome mais da metade da renda mensal, sem contar a exigência comum de pagar vários meses adiantados. O custo de vida total para um brasileiro em 2026 varia entre 1.800 e 2.500 euros por mês em Lisboa.
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A reforma que o governo chama de modernização do mercado de aluguel é, para quem já paga metade do salário no aluguel, uma ameaça concreta de despejo.
Os manifestantes portugueses se inspiraram nos acampamentos pelo direito à moradia organizados na Espanha, parte de uma onda de protestos contra o custo de vida que já passa por quatro países europeus.
O que acontece agora
Mesmo após o despejo da Praça do Rossio, o movimento disse que vai continuar, com quase 100 pessoas decididas a manter os protestos em Lisboa. A reforma do mercado de aluguéis ainda depende de votação final no Parlamento português.





























