O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pediu votos neste sábado (3), em live na véspera do primeiro turno, para candidatos ao Senado dispostos a votar pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, descumprem a lei.

"É muito importante ter Senado que seja nosso", disse Flávio, ao pedir voto nos dois candidatos indicados por seu grupo político em cada estado.

Durante a transmissão, ele defendeu a tese com uma frase direta:

Se posicionem a favor de impeachment de ministros do Supremo que descumpram a lei.

"Ninguém está acima da lei. Isso está longe de ser algum ataque", completou o senador, acrescentando que os ministros "têm que responder" quando "usam a caneta de forma errada".

Em agosto, Flávio reuniu 47 candidatos ao Senado em uma ofensiva contra o STF e disse que o próximo presidente indica quatro ministros da Corte. Naquela ocasião, ele citou Alexandre de Moraes nominalmente como alvo do impeachment.

Nesta live, não citou nenhum ministro.

A pauta do impeachment divide o próprio entorno de Flávio. Uma ala de aliados propõe abrir diálogo com Moraes antes de qualquer ofensiva no Senado.

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Essa ala defende que o ministro dê alguns "passos atrás", incluindo o abrandamento de penas de condenados pela tentativa de golpe, caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato.

Outro grupo, no qual está o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, considera improvável desistir da tentativa de afastar o ministro do Supremo.

Em agosto, o ministro Gilmar Mendes classificou a promessa de impeachment de ministro do STF como "equívoco eleitoral". Em setembro, aliados de Flávio já haviam promovido um ato em frente à casa do presidente do Senado por conta do impeachment de Moraes.

A divisão interna mostra que a promessa de impeachment, bandeira central da campanha presidencial, ainda não é consenso nem entre os aliados mais próximos de Flávio.

O que acontece agora

A disputa pelo Senado é decidida neste domingo (4), no mesmo pleito que define a Presidência. Os parlamentares eleitos assumem o mandato no início do próximo ano, quando a nova composição da Casa pode retomar o pedido de impeachment contra ministros do STF.