Mais da metade dos candidatos a vagas de emprego no Brasil (53,1%) já usou inteligência artificial para responder perguntas, fazer testes ou cumprir tarefas em processos seletivos, segundo pesquisa com 3.040 profissionais que passaram por seleções nos últimos 24 meses, divulgada pelo Valor.

Entre as etapas em que os empregadores avaliam competências, 41,2% dos profissionais usaram IA em uma prova ou teste técnico e 39,4% apresentaram conteúdo produzido total ou majoritariamente pela ferramenta. Outros 35,8% recorreram a modelos de linguagem para responder em tempo real durante as entrevistas.

O avanço da IA no processo seletivo acompanha uma tendência mais ampla: o FMI já alertou que a tecnologia pode afetar até 40% dos empregos no mundo. Outro levantamento, da Robert Half com 500 empregadores brasileiros, mostra o impacto do lado de quem contrata.

Segundo a Robert Half, 74% dos recrutadores dizem que a proliferação de materiais gerados por IA aumentou o tempo médio para preencher uma vaga, atrasando processos seletivos em mais de duas semanas. A ferramenta que deveria agilizar a seleção também pode travar quem contrata.

O que isso muda para quem procura emprego

Para o candidato, a ferramenta já é tratada como parte do processo, não mais como atalho proibido. Outro estudo já apontava a IA como habilidade essencial no recrutamento, mas especialistas do setor relatam currículos cada vez mais parecidos entre si.

Há caminhos para usar a tecnologia sem cair nesse nivelamento: a TV Sim Brasil já reuniu formas de usar IA para se preparar para entrevistas sem entregar respostas prontas demais.