A pesquisadora franco-brasileira Nina Rolin, doutoranda em semiologia na Universidade Paris-Cité, afirmou à RFI que influenciadores digitais se tornaram atores centrais na campanha presidencial brasileira de 2026, ao ocupar diariamente o espaço informativo consumido por milhões de eleitores, em entrevista publicada nesta terça-feira (20).
Fundadora do canal Leaks Media, Rolin estuda narrativas de criadores de conteúdo na França e no Brasil. Para ela, a extrema direita brasileira mudou de estratégia digital desde a campanha de 2022. A mudança aparece nos símbolos que a direita usa hoje.
"Em 2022, o patriotismo e a bandeira brasileira eram marcas muito associadas a Jair Bolsonaro. Hoje, esses símbolos já não pertencem a um único campo político", diz a pesquisadora.
"Eu vi alguns deputados usando o funk, que Jair Bolsonaro criticava", aponta Rolin. Ela vê nisso uma tentativa de aproximação com o eleitorado popular, incluindo parte tradicionalmente identificada com o PT.
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Qual é o peso real dos influenciadores na eleição?
Para Rolin, influenciadores não decidem sozinhos o resultado. Mas cumprem papel relevante ao estimular a participação e explicar o processo eleitoral a públicos que não acompanham noticiário tradicional.
Eles não são 100% responsáveis pela campanha, mas, na minha opinião, desempenham uma parte muito importante, ao mostrar ao povo que deve votar e também dando esclarecimentos sobre o que está acontecendo.
A afirmação é de Nina Rolin. Ela destaca haver influenciadores com audiências de até 30 milhões de seguidores, parte do cotidiano de milhões de brasileiros.
Como fica a disputa pelos influenciadores dos dois lados?
A campanha de Lula soma cerca de 100 apoios declarados de famosos e influenciadores, contra apenas 1 nome público a favor de Flávio Bolsonaro até 28 de setembro, segundo levantamento da TV Sim Brasil.
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Diante de críticas internas sobre a pouca presença digital, o próprio Lula prometeu reforçar selfies e contato direto nas redes, segundo matéria da TV Sim Brasil de 6 de outubro.
O TSE mantém a regra de que influenciador pago por campanha sem identificação do conteúdo comete propaganda ilegal, conforme decisão do tribunal de 26 de setembro.
A disputa pelos criadores de conteúdo também é disputa por quem explica a política a quem não lê jornal. Segundo a pesquisadora, muitos influenciadores famosos que não haviam declarado posição no 1º turno passaram a assumir preferência pública na campanha do 2º turno.





























