O Tesouro Nacional faz nesta semana reuniões com investidores e autoridades na China para preparar a primeira emissão soberana de títulos da dívida brasileira em yuans, os chamados panda bonds. A agenda avalia a demanda do mercado chinês, segundo o Ministério da Fazenda.
A informação foi antecipada pela Bloomberg.
Em 25 de junho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou ao Banco Popular da China a carta de intenção que formaliza o pedido brasileiro de acesso ao mercado chinês de títulos.
A meta é captar 5 bilhões de yuans na emissão inaugural.
Por que o Brasil quer se endividar em yuans?
O objetivo é diversificar as fontes de financiamento do país, hoje concentradas em dólar e em real. O movimento ganhou força desde que o câmbio voltou a oscilar com a eleição no radar.
"A depender das condições de mercado, a República gostaria que a emissão ocorresse ainda este ano. Então, estamos trabalhando ativamente para isso acontecer", disse Francisco Segundo, subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional.
Se a emissão sair do papel, o Brasil se torna o primeiro país da América Latina a vender títulos soberanos em yuans no mercado chinês, operação estimada em cerca de US$ 750 milhões.
Publicidade
O embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, que representou o país em Pequim entre 2004 e 2008, descreveu a operação como uma porta de entrada para uma relação financeira mais ampla e sofisticada com a China.
A China também é a maior compradora do petróleo brasileiro atualmente.
Quem já tomou esse caminho antes?
A pioneira brasileira nesse mercado foi a Suzano, que emitiu 1,2 bilhão de yuans em panda bonds em 2024, a uma taxa de 2,80% ao ano. A faixa histórica de juros desse tipo de título vai de 1,98% a 4,5% ao ano.
O mercado também está em expansão. O volume de emissões saltou de 194,8 bilhões de yuans em 2024 para 183,6 bilhões em 2025, somando mais de 160 bilhões de yuans só no primeiro semestre de 2026, alta de 69% sobre igual período do ano anterior.
Para o HSBC, o mercado chinês funciona como financiamento complementar ao americano, com apetite crescente de emissores estrangeiros. O momento também coincide com os títulos do Tesouro no Brasil disparando após o 1º turno, sinal do apetite por dívida brasileira neste fim de ano.
O que acontece agora
Com o roadshow em curso, o Tesouro decide o tamanho e o preço final da operação a partir da demanda vista entre os investidores chineses nesta semana. O governo mantém a intenção de fechar negócio ainda em 2026, a depender do mercado.





























