O iFood assinou acordo nesta terça-feira (20) para comprar a Caju, startup de benefícios corporativos, por valor estimado em R$ 1 bilhão. O negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, depois, do Banco Central.

A Caju atende mais de 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores, com cartão aceito em 12 milhões de estabelecimentos. O iFood soma 11 milhões de pontos de aceitação e mais de 500 mil estabelecimentos parceiros.

Por que o iFood quer um negócio de benefícios?

O iFood quer um negócio de benefícios porque esse mercado movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano no Brasil e atende mais de 22 milhões de trabalhadores em cerca de 470 mil empresas do PAT, o Programa de Alimentação do Trabalhador.

Não é a primeira investida do iFood fora do delivery. Em agosto, a empresa já havia lançado, com a Caixa, um financiamento de até R$ 30 mil para moto e bike elétrica de entregadores.

A entrada de novos concorrentes foi destravada por um decreto que limitou a 3,6% a taxa cobrada de restaurantes e supermercados, ante uma média de 7% antes. A medida deve ampliar a aceitação de 743 mil para 1,82 milhão de estabelecimentos, segundo o Tesouro Nacional.

Quatro empresas dominam hoje 80% desse mercado: Alelo, VR, Ticket e Pluxee.

A nova regra abriu caminho para iFood, Flash, Swile, Caju, PicPay e Raiô avançarem no setor. Caju e Flash já são, em 2026, as duas maiores plataformas de benefícios flexíveis do país.

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As operadoras tradicionais foram ao STF contestar a mudança que corta sua margem cobrada dos estabelecimentos.

Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, afirmou: "Repensamos a cadeia de valor do benefício". Eduardo Del Giglio, da Caju, disse buscar "o melhor ecossistema para o RH e o melhor produto para o colaborador".

O acordo vem um mês depois de o iFood anunciar um investimento recorde de R$ 24 bilhões em meio às disputas do setor de benefícios.

O que ainda falta para o negócio fechar

Falta a aprovação do Cade e do Banco Central, que podem demorar meses e impor condições. As operadoras tradicionais, que já questionam a nova regra do setor no STF, ainda não disseram se vão tentar barrar também essa aquisição.

Se aprovado pelo Cade e pelo Banco Central, o acordo deve levar meses para se concretizar. Até lá, iFood e Caju seguem operando de forma independente.