Coaches conhecidos como "tipsters" passaram a ensinar seguidores a driblar o veto do governo às apostas esportivas, em vigor desde 25 de setembro, segundo reportagem da Folha. Clientes relatam calote em grupos de Telegram e Discord com centenas de milhares de pessoas.

A reportagem acompanhou dez grupos de Telegram e Discord durante uma semana, muitos deles indicados em perfis com mais de 100 mil seguidores no Instagram e no X. O maior grupo visto tinha 26.589 membros.

Os clientes assumem riscos como negociações em criptomoedas e transferências para pessoas e empresas desconhecidas só para registrar um palpite. O grupo de Telegram mais antigo é de 2022 e segue no ar.

O caso do tipster MD Tips

O influenciador Diogo Pólvora, conhecido como MD Tips, organizou um bolão sobre o resultado do 2º turno da eleição presidencial. Ele prometeu pagar seis vezes o valor apostado a quem acertasse a vitória de Lula.

O montante seria destinado à Polymarket, plataforma de prognósticos proibida no Brasil desde abril. A premiação oferecida superava os próprios cálculos da Polymarket, que dava a Lula sempre mais de 12% de chance, valor de referência para a bonificação.

Até 31 de outubro, clientes publicaram 15 mensagens no X reclamando que Pólvora não pagou as premiações e parou de responder. As queixas somam mais de mil curtidas na rede social.

Procurado pela Folha por email, telefone e redes sociais, Pólvora não respondeu à reportagem. Em nota divulgada em 1º de novembro, ele disse ter usado recursos próprios para devolver "todos os valores originalmente depositados pelos participantes".

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Segundo o comunicado, o atraso nos repasses ocorreu por uma quebra de contrato com um fornecedor não identificado.

Por que a busca por driblar o veto cresceu

O veto do governo às apostas esportivas começou com a MP assinada por Lula a 9 dias do 1º turno das eleições.

Desde então, a proibição já gerou 833 sites ilegais de apostas e uma ação no STF, que ainda julga o tema.

Enquanto o Judiciário discute a validade do veto, coaches nas redes sociais já transformaram a fiscalização num jogo de gato e rato com os apostadores.

O que acontece agora

O STF segue sem data para concluir o julgamento sobre a proibição das bets, travado por divergências entre os ministros. Até lá, grupos de tipsters como os flagrados pela Folha seguem ativos nas redes.