Equipes da Polícia Federal, do Ibama e da Funai foram atacadas a tiros na sexta-feira (6 de novembro), ao deixar a Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, após prender um suspeito de extração ilegal de madeira. Ninguém ficou ferido.

A ação, batizada de Operação Lenha Fria, teve apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

A terra indígena fica nos municípios de Cacoal, em Rondônia, e Rondolândia, em Mato Grosso, e é ocupada pelo povo Paiter Suruí.

Os agentes prenderam uma pessoa em flagrante, suspeita de explorar economicamente floresta de domínio público sem autorização, crime que prevê 2 a 4 anos de reclusão e multa. A identidade do suspeito não foi divulgada.

As equipes apreenderam uma motosserra, dois celulares e uma antena de internet via satélite. Um trator e duas motocicletas usados na logística da extração foram inutilizados no local, e o Ibama destruiu 14 toras de madeira já cortadas.

Ao deixar a área, as equipes encontraram a estrada bloqueada por árvores derrubadas, prática usada para impedir a passagem. Foram então alvo de disparos de arma de fogo.

A estrada bloqueada com árvores e os tiros contra a equipe mostram que a fiscalização ambiental na região enfrenta risco armado, não só resistência passiva.

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A Polícia Federal informou que vai apurar a "injusta agressão contra a equipe de fiscalização". Não há suspeito identificado pelos disparos até a publicação desta matéria.

Rondônia e Mato Grosso já tinham ordem do STF contra garimpeiros

O STF já havia determinado um plano para desocupar garimpeiros ilegais de terras indígenas no Mato Grosso e em Rondônia, os mesmos dois estados da nova operação. A decisão mostra que a região é foco recorrente de exploração ilegal.

O desmatamento no Brasil caiu para o menor nível desde 2019, segundo o MapBiomas, mas a Amazônia segue sendo a região mais afetada pela extração ilegal de madeira, principalmente em terras protegidas.

Casos assim não são raros: em setembro, a TV Sim mostrou como o garimpo ilegal na Terra Yanomami abastecia Apple, Amazon e Microsoft, numa cadeia que também envolvia extração em terra indígena.

O que acontece agora

A Polícia Federal segue investigando quem disparou contra a equipe de fiscalização, sem suspeito identificado até agora. O preso em flagrante ainda vai responder ao processo pela extração ilegal de madeira.