Um vídeo do senador Flávio Bolsonaro (PL), publicado na quinta-feira (5 de novembro), exagerou o crescimento de votos do presidente Lula entre os turnos em quatro estados. Checagem do Terra, do dia seguinte, mostra números reais bem abaixo dos citados por ele.
O vídeo, publicado por Flávio em 5 de novembro, citou sete estados ao questionar a reeleição de Lula, mas só deu percentual para dois deles na fala original. O Terra conferiu quatro desses números contra os dados oficiais do TSE.
Em todos os quatro, o número real ficou abaixo do alegado por Flávio.
| Estado | Flávio alegou | Crescimento real |
|---|---|---|
| Goiás | mais de 43% | cerca de 33% |
| São Paulo | mais de 35% | 27% |
| Rio de Janeiro | mais de 30% | cerca de 24% |
| Santa Catarina | mais de 30% | cerca de 26% |
Flávio não apresentou provas de fraude. Questionado, limitou-se a dizer que a conta "não fecha", sem citar metodologia ou fonte para os percentuais que usou.
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Por que os números sobem entre os turnos
Os números sobem porque cada turno é uma eleição independente. Quem faltou ao primeiro pode votar no segundo, e os eleitores dos candidatos eliminados têm o voto redistribuído entre os dois finalistas. É dinâmica normal, não indício de fraude.
No 2º turno, Lula somou 10,3 milhões de votos a mais, e Flávio, 3,7 milhões. Juntos, os dois ganharam 14,1 milhões de votos vindos da queda da abstenção e de eleitores que haviam votado em candidatos de 3ª via no 1º turno.
A abstenção caiu para 19,2% no 2º turno, a menor taxa em 20 anos numa eleição presidencial, rompendo um padrão que se repetia desde a redemocratização.
O cálculo de Flávio também ignora que cada eleitor pode mudar de voto entre os turnos, o que a matemática de soma simples não capta.
Em 2018, o candidato derrotado Fernando Haddad (PT) ganhou 15 milhões de votos entre o 1º e o 2º turno, salto maior que o de Lula ou Flávio agora. O padrão já era comum antes de 2026.
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Não é a primeira vez que Flávio questiona o resultado sem provas. Em entrevista divulgada na sexta-feira (6 de novembro), ele já havia admitido não ter nenhuma evidência de fraude.
O que acontece agora
Flávio segue nos Estados Unidos desde 28 de outubro, sem entregar o passaporte à Justiça, e diz temer ser preso se voltar ao Brasil. Ele afirma que vai buscar a cassação da chapa Lula-Alckmin no TSE, mas ainda não apresentou provas para sustentar o pedido.
O TSE já rejeitou pedidos semelhantes de Flávio sobre fraude nas urnas, sempre por falta de provas.






























