O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou nesta quinta-feira (24) na Assembleia Geral da ONU sob vaias e a saída de dezenas de delegações, entre elas a do Brasil. Ele chamou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de antissemita e apoiador do Hamas.

Ele disse ainda que Israel "impediu", e não cometeu, um genocídio em Gaza. Segundo o Valor, o premiê ironizou a debandada e afirmou que, se houvesse "mais algum covarde moral" que ainda não tivesse deixado o plenário, poderia sair antes de começar a falar.

A delegação brasileira se retirou assim que Netanyahu subiu ao púlpito, ao lado de representantes de dezenas de outros países.

Você tentou me silenciar. Bem, você não pode me silenciar, não pode silenciar a verdade. E esta é a verdade simples: Israel não cometeu genocídio. Israel impediu um genocídio.

Netanyahu dirigiu a frase a Mamdani, primeiro muçulmano eleito prefeito de Nova York, que já o havia chamado de "criminoso de guerra" em entrevista ao New York Times, em julho, segundo a CNN Brasil.

Mamdani rebateu horas antes do discurso.

Publicou um vídeo em que planta uma oliveira na residência oficial da prefeitura e janta com famílias palestinas de Gaza. "Que a paz seja o nosso futuro", escreveu na legenda, segundo a CNN Brasil.

As acusações contra o prefeito de Nova York

Netanyahu acusou Mamdani de tentar impedir sua viagem a Nova York e de espalhar mentiras com consequências reais para os judeus da cidade, segundo o premiê. A disputa entre os dois já dura meses, desde que o democrata assumiu a prefeitura.

Ao tratar do Irã, Netanyahu defendeu os ataques ao programa nuclear iraniano e repetiu que "estaríamos todos mortos" se Israel não tivesse agido. Os bombardeios começaram em 28 de fevereiro, meses após a "Guerra dos 12 Dias", travada em junho de 2025.

Netanyahu chamou as acusações de genocídio de "maior mentira do século" e disse que Israel ocupa uma faixa de terra equivalente a 1/3 de 1% do mundo árabe, segundo a Gazeta do Povo.

Ele também acusou o Irã de "massacrado e mutilado dezenas de milhares de manifestantes iranianos desarmados".

A saída da delegação brasileira acontece dias depois de a missão de Israel na ONU usar uma arara para representar o Brasil em tom de deboche. Dias antes, o presidente Lula também citou Netanyahu ao falar em genocídio em Gaza, na mesma tribuna.

O cerco jurídico a Netanyahu avança também fora da ONU. A Turquia pediu à Interpol a prisão do premiê por causa de uma flotilha com brasileiros interceptada por Israel.

Na mesma sessão da Assembleia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Tribunal Penal Internacional e chamou o tribunal de "instituição descontrolada", segundo a Gazeta do Povo. O apoio de Trump contrasta com o isolamento que Netanyahu enfrentou no plenário da ONU.

O que acontece agora

Netanyahu ainda tem reuniões marcadas à margem da Assembleia Geral com os líderes do Panamá, Paraguai, Etiópia, Argentina, Bolívia e Papua-Nova Guiné, segundo a CNN Brasil.

A agenda dele em Nova York não inclui encontro com representantes do governo Trump. O último contato presencial entre os dois nos Estados Unidos foi em agosto, sem presença da imprensa.