A Justiça Eleitoral de Pernambuco concedeu nesta sexta-feira (18) direito de resposta à governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, contra propaganda da campanha de João Campos (PSB) sobre seu salário. As decisões valem para rádio, TV e redes sociais.
Na peça contestada, a coligação de Campos afirmava que Lyra declarou à Justiça Eleitoral apenas R$ 1 em conta-corrente, apesar de receber R$ 60 mil por mês.
A governadora optou por continuar recebendo como procuradora do estado, sua carreira de origem, em vez do salário de R$ 22 mil do cargo. A propaganda dizia que ela teria acumulado mais de R$ 1,2 milhão de forma "inconstitucional".
Segundo a declaração de bens entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o patrimônio de Lyra soma R$ 359.498,33, composto por um apartamento, aplicações financeiras e o depósito de R$ 1 em conta-corrente questionado pela propaganda.
Para o magistrado, o dado sobre a conta-corrente é real e o debate sobre a remuneração é tema legítimo da disputa eleitoral. O problema, segundo ele, está na forma como as informações foram reunidas e apresentadas ao eleitor.
"A irregularidade, entretanto, não decorre da falsidade isolada desses dados, mas do sentido global produzido pela seleção, associação e apresentação das informações", escreveu o desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno.
O g1 procurou a campanha de João Campos para comentar a decisão, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
A disputa chega à reta final apertada, o que torna a imagem de cada candidato tão disputada quanto o próprio voto.
Pesquisa Quaest, contratada pela Globo Comunicação e Participações, ouviu 1.302 eleitores entre 4 e 7 de setembro, em cenário estimulado, com margem de erro de três pontos percentuais, 95% de confiança e registro PE-00285/2026 no TSE.
No início do mês, o instituto media Lyra com 43% das intenções de voto contra 37% de Campos, 12% de indecisos e 6% de brancos e nulos. Dias depois, uma pesquisa Datafolha também colocou Lyra à frente de Campos em Pernambuco.
O cenário voltou a se apertar no levantamento mais recente sobre a disputa. Divulgado em 15 de setembro, ele mostrou Campos abrindo 1 ponto sobre Lyra, dentro da margem de erro.
O clima da campanha também esquentou fora das urnas. Apoiadores dos dois candidatos brigaram na quinta-feira (17) em frente ao local de um debate em Caruaru, no Agreste do estado.
"O pessoal está brigando lá fora, brigando fisicamente. Pessoas contratadas pelas duas candidaturas, que são tidas como favoritas, levando às vias de fato aquilo que deveria ser um debate democrático", disse o ex-vereador Ivan Moraes (PSOL), que participava do debate.
O que a decisão muda na propaganda de Campos
A decisão dá a Lyra um minuto de resposta no início do bloco eleitoral de Campos em rádio e TV, no mesmo horário da peça original, além de tempo igual ao da ofensa nas inserções diárias.
A coligação de Campos tem 36 horas, a partir da publicação da decisão, para entregar o material que vai ao ar nas próximas exibições do programa eleitoral.
O que acontece agora
Lyra e Campos ainda disputam o mesmo eleitorado indeciso, que soma 12% segundo a Quaest, com os dois concentrando a quase totalidade dos gastos de campanha no estado. O primeiro turno em Pernambuco está marcado para 4 de outubro.






































