O candidato Rafael Duda (PSTU) defendeu nesta sexta-feira (18), em Uberlândia, estatizar o agronegócio e a mineração de Minas Gerais. Segundo ele, a medida seria feita por decreto, para tirar os dois setores do controle privado e passar a gestão à classe trabalhadora.
Seria mesmo por decreto. Toda a expansão do agronegócio e da mineração aqui no estado de Minas Gerais que não paga absolutamente nada de imposto foi feita por decreto. Ou seja, foi tomado da população.
A frase é de Duda, durante panfletagem na Praça Tubal Vilela, no Centro de Uberlândia. Ele é operário da mineração e preside o sindicato Metabase Inconfidentes, que representa trabalhadores da extração de ferro e metais em Minas.
Quanto vale o agronegócio que Duda quer estatizar
O agronegócio mineiro exportou US$ 19,9 bilhões em 2025, recorde da série histórica iniciada em 1997. O resultado elevou a participação do setor nas exportações totais do estado a 43,4%, a maior proporção já registrada.
No primeiro semestre de 2026, o setor movimentou R$ 45,6 bilhões em vendas externas e colocou Minas como o 3º maior exportador do agronegócio do país, atrás só de Mato Grosso e São Paulo. Só o café respondeu por 52,1% dessa receita.
Dá para estatizar por decreto?
Não, segundo a Constituição. O artigo 5º, inciso XXIV, exige que toda desapropriação por interesse público ou social seja precedida de justa e prévia indenização em dinheiro ao proprietário.
Especialistas ouvidos pela Câmara dos Deputados sobre um caso semelhante, o de uma estatal, já afirmaram que nem uma empresa pública pode ser privatizada por simples decreto. A mesma lógica jurídica vale no caminho inverso, o de nacionalizar uma empresa privada.
Nenhum dos outros dez candidatos ao governo de MG propõe estatizar terras ou empresas do agronegócio. Cleitinho, que lidera a disputa, defende crédito subsidiado e ambiente digital de licenciamento para o setor privado.
Kalil quer fortalecer o cooperativismo entre pequenos produtores, e Patrus Ananias, do PT, propõe transição agroecológica com compras institucionais, sem falar em estatização de empresas.
Duda é um dos cinco candidatos sem tempo de TV e rádio na disputa, o que limita o alcance da proposta entre o eleitorado.
A disputa pelo governo e pelo Senado em Minas segue movimentada até a reta final da campanha.
O ponto em aberto
Com 11 candidaturas ao governo de Minas, o debate eleitoral reúne desde a defesa de estatização até propostas de desburocratização para o setor privado.
A pergunta que fica é até que ponto essas propostas mais distantes do centro da disputa moldam a agenda dos favoritos na reta final de campanha.

































































