A Isa Energia Brasil registrou lucro líquido regulatório de R$ 1,9 bilhão no 3º trimestre de 2026, alta de 246,3% sobre o mesmo período de 2025. O número, porém, esconde um efeito contábil que não entrou no caixa da empresa.
Do total, R$ 1,27 bilhão veio de um ganho não recorrente com a reorganização nas transmissoras IE Madeira e IE Garanhuns, concluída em 31 de julho. Sem esse efeito, o lucro pró-forma somou R$ 625 milhões, alta de 14% sobre o 3º tri de 2025.
De onde vem o lucro que aparece na manchete
O ganho contábil nasceu de uma troca: a Isa passou a deter 100% da IE Madeira e vendeu sua fatia de 51% na IE Garanhuns. É um lucro de papel, do ajuste contábil dos ativos a valor justo, não de energia vendida a mais.
A receita líquida regulatória, essa sim ligada à operação do dia a dia, somou R$ 1,51 bilhão no trimestre, alta de 41%, puxada pelo reajuste da receita anual permitida (RAP) em 4,72% pelo IPCA e pela entrada em operação de três novos projetos de transmissão.
"Sob a ótica dos investimentos, aportamos R$ 1,1 bilhão no trimestre, uma redução de projetos greenfield, pois a gente energizou três projetos nos últimos 12 meses e temos outros dois em construção", disse o CEO Rui Chammas, à CNN Brasil.
A dívida líquida da companhia chegou a R$ 17 bilhões em setembro, alta de 20% frente ao fim de 2025, embora a alavancagem tenha recuado de 3,63 para 3,5 vezes no período.
"A gente antecipou nossas captações, nossas necessidades de financiamento. É uma forma de navegar esse período sem ter que acessar mercado no período de volatilidade", disse a diretora financeira Silvia Wada, ao Valor, sobre as eleições de 2026.
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O que acontece agora
A Isa estuda entrar no primeiro leilão de baterias do país, marcado para dezembro, mas com cautela diante do endividamento atual.
A concorrência já se movimenta: a Axia Energia testa tecnologias para evitar cortes de renováveis no Nordeste e decidiu não disputar o leilão de transmissão de outubro para focar no de baterias.
O leilão de baterias já recebeu projetos que somam mais energia do que o Brasil todo consome, sinal do apetite do setor pela tecnologia que resolve a intermitência de eólica e solar.































