O CEO da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, alertou nesta terça-feira (15) para o risco de empresas sem qualificação técnica disputarem o leilão de baterias marcado pela ANEEL para dezembro. Segundo ele, o volume de projetos cadastrados, 296,8 GW, supera toda a capacidade de geração de energia do Brasil, hoje em torno de 220 GW.

Sattamini chamou o número de "absurdo" e disse que o alerta serve para evitar "aventureiros sem conhecimento oferecendo preços inexequíveis".

Para ele, operar armazenamento em baterias exige engenharia especializada e domínio de cadeia de suprimentos, não apenas instalar equipamento.

Como funciona o leilão de dezembro

A ANEEL marcou dois leilões de baterias para os dias 2 e 4 de dezembro, com contratos de 15 anos e início de fornecimento em agosto de 2028. Juntos, somam R$ 20 bilhões em contratos, segundo levantamento da revista Exame.

Um dos leilões, o de Armazenamento Nacional, exige baterias fabricadas no Brasil; o outro, de Armazenamento Geral, não tem essa exigência. Os dois pedem potência mínima de 30 MW, eficiência global de 85% e recarga completa em até seis horas.

O prazo para cadastrar projetos na qualificação técnica da EPE, etapa que gerou os 296,8 GW citados por Sattamini, terminou em 31 de julho. Já a consulta pública sobre as regras do leilão foi encerrada ontem (14), depois de quase seis semanas de contribuições.

Por que o país quer baterias agora

Entre janeiro e abril deste ano, o Brasil cortou em média 2.843 MW de energia eólica e solar que não teve para onde escoar, sobretudo no Nordeste, onde a geração renovável avançou mais rápido que a rede de transmissão.

As eólicas tiveram corte médio de 1.806 MW e as usinas solares, de 1.037 MW no período. Uma bateria funciona como reservatório: absorve o excedente gerado durante o dia e devolve a energia ao sistema nos horários de maior demanda.

O que acontece agora

A ANEEL ainda precisa fechar o texto final do edital e prevê workshop em 14 de outubro para explicar a inscrição e a habilitação técnica, econômica e financeira. A expectativa é que as exigências de qualificação reduzam bastante o número de candidatos antes de dezembro.