O democrata Chris Pappas, deputado federal por New Hampshire, foi eleito na terça-feira (3 de novembro) o primeiro homem abertamente gay a ocupar uma cadeira no Senado dos EUA. Ele venceu o republicano John Sununu, que reconheceu a derrota por telefone.
Segundo a Associated Press, que projetou o resultado, a vitória garante aos democratas a manutenção da cadeira no Congresso. Pappas vai suceder a senadora Jeanne Shaheen, que se aposenta após 18 anos no cargo.
Pappas tem 46 anos e representa o 1º distrito de New Hampshire na Câmara dos Representantes desde 2019, pela ala moderada do Partido Democrata. Ele já votou contra a orientação da própria legenda em algumas matérias.
Antes dele, só mulheres abertamente LGBTQIA+ haviam chegado ao Senado americano: Tammy Baldwin, de Wisconsin, Laphonza Butler, da Califórnia, e Kyrsten Sinema, do Arizona. As duas últimas já deixaram o cargo.
Há ainda o caso do ex-senador Harris Wofford, da Pensilvânia, que exerceu mandato entre 1991 e 1995 casado com uma mulher e só assumiu publicamente um relacionamento com um homem em 2016, após deixar a função.
O que muda no equilíbrio do Senado
A disputa em New Hampshire era considerada equilibrada: o Cook Political Report passou a classificar a corrida como acirrada em setembro, mesmo com o estado tendo votado na democrata Kamala Harris na eleição presidencial de 2024.
A vaga já pertencia aos democratas, então o resultado não amplia a bancada do partido. Mas evita uma perda justamente quando a oposição tenta ampliar a fiscalização sobre o governo republicano.
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A corrida fez parte de uma eleição com gasto recorde de quase US$ 12 bilhões em todo o país.
O resultado em New Hampshire é só uma peça do tabuleiro. Os EUA elegeram, na mesma terça-feira, todo o Congresso, e o placar final pode mexer nas tarifas que afetam exportações brasileiras.
Quem é John Sununu, o adversário derrotado
Sununu tentava voltar ao Senado quase duas décadas depois de perder a reeleição para Jeanne Shaheen, em 2008. Ele é irmão do ex-governador Chris Sununu e filho de outro ex-governador do estado.
Recebeu apoio de Donald Trump na campanha, mas tentou se distanciar do presidente em temas como a guerra no Irã. Pappas fez o caminho inverso: associou o adversário à agenda da Casa Branca.
O democrata também criticou os cortes no Medicaid, o programa de assistência médica à população de baixa renda, e concentrou o discurso em corrupção em Washington, acesso à saúde e custo de vida.
Ele evitou transformar a própria orientação sexual no tema central da candidatura.
O que acontece agora
A apuração das midterms segue em outros estados, com a renovação das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e eleições para governador em 36 estados. O resultado vai definir se os republicanos mantêm o controle do Congresso.
Para o Brasil, a leitura inicial é de que uma eventual maioria democrata não deve mudar a tarifa dos EUA contra produtos brasileiros no curto prazo.































