A AMD fechou o 3º trimestre de 2026 com receita recorde de US$ 8,5 bilhões em data centers, alta de 97% em um ano, puxada pela demanda por processadores para treinar sistemas de inteligência artificial. A receita total somou US$ 13,4 bilhões.

O resultado veio acima da previsão dos analistas ouvidos pela FactSet, e as ações da AMD avançaram 7,7% no after hours. Para o 4º trimestre, a empresa projeta receita de US$ 17 bilhões.

Por que o setor inteiro está investindo tanto

O ciclo de gastos das grandes empresas de tecnologia com data centers deve superar US$ 730 bilhões em 2026, segundo estimativas de mercado.

A própria Nvidia, fornecedora de chips rival da AMD, lucrou US$ 59,7 bilhões em um trimestre, alta de 126%, puxada pela mesma corrida, e bateu recorde ao se aproximar de valer US$ 6 trilhões em outubro.

Nem todo mundo lê esse crescimento como sinal de saúde do setor. A Nvidia passou a financiar diretamente empresas que compram seus próprios chips, inclusive com contratos de locação futura de data centers avaliados em US$ 20 bilhões.

A Nvidia se torna uma espécie de banco central do espaço de IA.

Disse Brian Mulberry, da Zacks Investment Management, sobre o risco de a empresa ficar excessivamente exposta ao setor sem diversificação.

O investidor Michael Burry, que previu a crise financeira de 2008, foi além. Ele apontou mais de US$ 120 bilhões em dívida fora do balanço ligada a esse financiamento circular entre Nvidia, OpenAI e provedores de nuvem.

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É esse tipo de dívida escondida, não o chip vendido, que mais preocupa quem estuda bolhas financeiras. O banco BofA recomenda a investidores diversificar a exposição à IA para além da Nvidia.

O boom chega também ao Brasil: o projeto Rio AI City recebeu US$ 550 milhões e projeta expansão de US$ 10 bilhões, e o Rio de Janeiro deve receber R$ 2,8 bilhões em data centers de IA, segundo anúncios de 2026.

O ponto em aberto

Os números da AMD e da Nvidia mostram demanda real, não só promessa. A receita de data center da AMD quase dobrou em um ano, com produto entregue e vendido.

Mas o alerta de Burry é sobre outra camada: a forma como esse crescimento é financiado.

A pergunta que fica é se a demanda por IA vai continuar crescendo rápido o bastante para sustentar os contratos bilionários que a Nvidia já assinou. Nenhum dos dois lados tem como provar isso agora; o mercado só vai saber quando os primeiros contratos vencerem.