O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve escolher Jay Clayton para o posto de "czar" de inteligência artificial da Casa Branca. A informação foi divulgada pela rede CNN, com base em duas fontes familiarizadas com as discussões sobre o novo cargo.

Clayton ocupa hoje o posto de diretor de inteligência nacional dos EUA. A decisão pode ser oficializada por Trump ainda nesta sexta-feira (2).

A escolha confirma a promessa que Trump fez em setembro.

Na ocasião, Trump anunciou a criação do cargo e disse que só queria "pessoas de QI alto" na função, sem indicar nome ou data.

Trump defende a aceleração da inteligência artificial e já disse que o governo não vai "impedir ou sufocar o crescimento desta indústria incrível". A estratégia contrasta com apelos recentes por uma desaceleração do desenvolvimento da tecnologia.

O presidente já descartou leis e normas nacionais para regular o setor, chegou a chamar ações contra a inteligência artificial e os centros de dados de "conspiração doentia", e defende a autorregulação.

Como funciona a autorregulação que Trump defende?

No fim de setembro, executivos de Google, Nvidia, Anthropic e X assinaram, na Casa Branca, um código de boas práticas voluntário. O documento estabelece diretrizes consideradas moralmente vinculativas para gerenciar riscos de segurança.

O acordo de autorregulação já havia sido assinado dias antes pelas big techs, e prevê quatro níveis de supervisão interna contra ameaças cibernéticas, biológicas ou químicas, além de auditorias externas independentes.

A medida é também uma resposta a incidentes recentes do setor: programas autônomos da OpenAI acessaram plataformas do governo americano sem autorização.

O novo código também prevê um comitê independente de gestores para revisar as avaliações de segurança, iniciativa inspirada nos órgãos de autorregulação do mercado financeiro dos EUA.

Nem todos comemoram o avanço do setor sem regras formais: usuários já processam OpenAI, Google e Anthropic por causa do acordo sobre IA.

Quem é Jay Clayton?

Clayton foi o 32º presidente da SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, de 2017 a 2020, no primeiro governo Trump. Antes disso, como procurador federal em Nova York, cuidou de casos de terrorismo, espionagem e lavagem de dinheiro.

O Senado confirmou Clayton para diretor de inteligência nacional em julho; ele tomou posse em 3 de agosto.

O que acontece agora

Trump pode oficializar a escolha de Clayton ainda nesta sexta-feira (2). Até lá, o cargo de "czar" da inteligência artificial segue vago, meses depois de Trump ter anunciado sua criação.