Os mercados globais de títulos se estabilizaram nesta sexta-feira (2). Um dia antes, uma onda de vendas havia levado os custos de financiamento dos Estados Unidos ao maior nível desde 2002. O rendimento dos treasuries de 10 anos fechou em 5,24%, segundo a Folha.
O rendimento dos Bunds alemães de 10 anos recuou para 3,43%. Os títulos franceses de 10 anos caíram para 4,91%, depois de avançar na véspera com a proposta de orçamento de 2027 que reacendeu a preocupação com as contas públicas da França.
O movimento elevou o spread entre os papéis franceses e alemães, a taxa extra cobrada da França, para 1,5 ponto percentual, o maior nível desde 2012.
Os movimentos de quinta-feira lembravam em muitos aspectos a crise do euro, com o contágio entre as dívidas soberanas sendo um dos principais pontos de atenção
disse Henry Allen, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank. Estrategistas de juros do banco holandês ING disseram que o sentimento do mercado estava "se deteriorando" em relação à dinâmica da dívida europeia.
A estabilização desta sexta-feira (2) também foi favorecida pela queda dos preços do petróleo. O Brent recuava 2,1%, para US$ 100,15 o barril, patamar abaixo dos US$ 108 que tinha pressionado a gasolina no Brasil na semana passada.
A inflação da zona do euro divulgada no mesmo dia atingiu 3,8%, o maior nível em três anos e acima das expectativas do mercado, embora o núcleo (que exclui itens voláteis) tenha ficado em linha com as projeções.
É esse descompasso que os investidores usam para calibrar a reação do Banco Central Europeu (BCE) à crise energética provocada pelo conflito no Oriente Médio.
O que isso significa para o Brasil?
O juro mais alto nos Estados Unidos chega ao Brasil pelo câmbio e pela renda fixa. O dólar fica mais forte. O Treasury mais atrativo reduz o apetite por ativos emergentes e estreita o espaço que o Banco Central tem para seguir cortando a Selic.
O Ibovespa já sentia o efeito antes da estabilização. Fechou em queda de 0,99% na quinta-feira, o quarto pregão seguido de baixa, informa o InfoMoney, mesmo tendo fechado setembro na maior alta desde janeiro.
Na quinta (1º), o Treasury já tinha batido o maior nível desde 2002 e pressionado o real, justo quando o Banco Central cortava a Selic.
A ata do Copom já havia sinalizado a aposta em novos cortes dias antes.
O que acontece agora
Os investidores mantêm o foco nos próximos dados de inflação da zona do euro e na resposta do BCE à alta dos preços de energia. Na França, o Parlamento ainda discute o orçamento de 2027 que elevou o spread com a Alemanha.






























