O G7 concordou nesta sexta-feira (2) em liberar até 100 milhões de barris de diesel e petróleo nos próximos quatro meses, para conter os preços disparados pela guerra no Oriente Médio. O anúncio foi feito pelo presidente francês Emmanuel Macron, que preside o grupo.

A liberação é coordenada pela Agência Internacional de Energia e deve colocar no mercado reservas "substanciais" já nos próximos 20 dias, concentradas em diesel. Os sete países também se comprometeram a não proibir exportações entre si, como os EUA chegaram a ameaçar fazer.

"Foi decidido liberar as reservas estratégicas de diesel e petróleo bruto sob a coordenação da Agência Internacional de Energia para que seja possível liberar até 100 milhões de barris nos próximos quatro meses", disse Macron.

O petróleo Brent subiu 22,9% em 30 dias com a escalada do conflito no Oriente Médio, incluindo ataques dos EUA e de Israel.

O diesel no mercado internacional disparou ainda mais, cerca de 50%, acima da alta de 42% do petróleo bruto no mesmo período. O risco de fechamento do Estreito de Ormuz, rota de boa parte do petróleo mundial, pressiona os preços.

O Brasil sente esse aperto mesmo sendo o 8º maior produtor mundial de petróleo. As refinarias do país não dão conta de toda a demanda interna, e cerca de 25% a 30% do diesel consumido aqui é importado, comprado em dólar a preço internacional.

Desde o início da guerra, o diesel S-10 subiu cerca de 20% no Brasil, de R$ 6,09 para R$ 7,33 por litro.

A Rússia virou a principal fornecedora do combustível ao país, respondendo por mais de 80% do valor importado em março e abril, ante 0% em 2022.

O que pressiona o consumidor brasileiro

A dependência da importação deixou a Petrobras fora da rotina de preços alinhados ao mercado internacional. A estatal acumula o que o setor chama de defasagem recorde entre o preço interno e o custo de importar.

A Abicom, associação das importadoras de combustíveis, alertou que os estoques brasileiros de diesel garantem abastecimento por apenas 15 dias se as compras no exterior travarem. Antes da liberação anunciada pelo G7, o Brasil já tinha ampliado as compras de diesel dos Estados Unidos.

Quanto tempo a Petrobras consegue segurar essa diferença sem repassar ao posto é uma conta que pesa mais em ano eleitoral.

O ponto em aberto

A liberação do G7 ataca o lado global do problema, mas não resolve o gargalo brasileiro: entre 25% e 30% do diesel consumido aqui ainda vem de fora, boa parte da Rússia.

A dúvida é se a folga prometida para os próximos 20 dias chega rápido o bastante aos contratos de importação, ou se o Brasil segue exposto ao mesmo aperto até as novas remessas desembarcarem.