A fabricante americana de chips Micron Technology registrou lucro líquido de US$ 37,7 bilhões no quarto trimestre fiscal, ante US$ 3,2 bilhões um ano antes. A receita saltou 379%, para US$ 54,23 bilhões, impulsionada pela demanda por memória para inteligência artificial.
O resultado superou as estimativas de analistas, que esperavam receita de US$ 51,07 bilhões e lucro por ação de US$ 31,61. A Micron entregou US$ 33,42 por ação.
A empresa não vende só memória: vende a garantia de que a infraestrutura de inteligência artificial do mundo vai continuar funcionando sem faltar peça.
"A IA está se tornando superinteligência, e a memória potencializa essa inteligência e a competitividade das plataformas dos nossos clientes", disse o presidente-executivo da Micron, Sanjay Mehrotra, em comunicado.
Os clientes também elevaram contratos de fornecimento de longo prazo para US$ 32 bilhões, ante US$ 22 bilhões relatados em junho, principalmente em depósitos em dinheiro, segundo Mehrotra.
O indicador de receita futura contratada da empresa, as chamadas obrigações de desempenho remanescentes, subiu para cerca de US$ 150 bilhões, ante US$ 100 bilhões no trimestre anterior, segundo o diretor financeiro, Mark Murphy.
O que pressiona a demanda por chips de memória?
A demanda vem da corrida por infraestrutura de inteligência artificial. Em julho, a Micron elevou para mais de US$ 250 bilhões os investimentos planejados em novas fábricas nos Estados Unidos até 2035.
Amazon, Alphabet e outras gigantes de tecnologia devem investir mais de US$ 730 bilhões em infraestrutura de IA somente este ano. A AMD também entrou no clube do US$ 1 trilhão em valor de mercado este mês, na mesma onda.
O aperto no mercado de memória já chegou ao Brasil. Ele fez o iPhone encarecer até R$ 2 mil no país e pressionou o preço de notebooks ao longo do ano.
A Micron já havia alcançado a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado em maio. Agora, a ação acumula alta de mais de 500% em 12 meses.
O que acontece agora
A empresa projeta receita de US$ 61,5 bilhões para o próximo trimestre, acima dos US$ 57 bilhões esperados pelo mercado. Segundo o diretor financeiro, o ano fiscal de 2027 deve ser outro recorde, com crescimento de receita a cada trimestre.
Mehrotra prevê o mercado de memória apertado até 2028.






























