O governo do Amazonas decretou emergência por 180 dias em 40 municípios atingidos pela seca e por incêndios florestais. A estiagem já afeta 101.084 famílias, e o Inpe contabilizou 8.165 focos de calor no estado até 18 de outubro deste ano.

Outros 16 municípios, além da capital Manaus, estão em estado de alerta, e cinco permanecem em atenção. Nenhum município do Amazonas está em situação de normalidade, segundo levantamento da CNN Brasil.

Nos dez primeiros dias de outubro, os focos de incêndio no estado subiram 271% sobre o mesmo período de 2025, de 372 para 1.380 ocorrências, segundo o Painel do Fogo do Censipam.

Entre 1º de junho e 17 de outubro, foram 3.748 ocorrências de incêndio registradas e 22.974 focos combatidos em todo o estado.

As consultas por doenças respiratórias subiram 10,5% entre agosto e setembro, e escolas municipais suspenderam atividades ao ar livre. A qualidade do ar chegou a níveis classificados como perigosos pelo monitoramento internacional IQAir.

Quem mora na região respira um ar que a própria vigilância internacional classifica como perigoso à saúde. A Força Nacional do SUS já havia sido enviada ao estado, segundo reforço de saúde pública anunciado após as queimadas.

O quadro atual amplia a emergência decretada em 36 municípios há pouco mais de uma semana. O governador Roberto Cidade (UB) assinou o decreto original, publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado.

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O que acontece agora

O decreto de emergência vale por 180 dias, e o governo ampliou de 11 para 16 o número de aeronaves no combate aos incêndios, entre aviões Air Tractor, KC-390 e helicópteros. A proibição do uso de fogo no estado vigora por 120 dias.

No combate, atuam 1.500 profissionais do Corpo de Bombeiros, 96 viaturas, 153 brigadistas do programa Floresta em Pé, 100 policiais militares e 25 viaturas adicionais. O estado ampliou de 11 para 25 as bases permanentes do Corpo de Bombeiros no interior.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas já aplicou R$ 167 milhões em multas e 421 embargos que somam 65 mil hectares contra quem provocou ou lucrou com as queimadas. Em Autazes, 11 pessoas foram presas em 17 de outubro por crimes ambientais.

A crise não é só do Amazonas. O Tocantins também decretou emergência por seca em todo o território nesta mesma semana, e o governo federal já havia reforçado o apoio em outubro.

Sol avermelhado pela fumaça das queimadas sobre árvore no Parque Estadual Sumaúma, em Manaus
Fumaça das queimadas encobre o sol em área de mata próxima a Manaus (foto de arquivo/contexto) Foto: Adrisub/wikimedia via Openverse (BY-SA)

Nas imagens divulgadas pela CNN Brasil, a fumaça mantém Manaus sob alerta de qualidade do ar muito ruim.