O furacão Polo passou de tempestade tropical a categoria 5, a máxima da escala Saffir-Simpson, em cerca de 36 horas nesta terça-feira (22), na costa do Pacífico mexicano. Os ventos saltaram de 64 km/h para 257 km/h no mesmo intervalo.
O NHC classificou o ritmo como "verdadeiramente notável". A entidade avalia que a evolução pode estabelecer um novo recorde no Pacífico Oriental para o menor intervalo entre um sistema virar furacão e chegar à categoria 5.
Por que Polo ganhou força tão rápido
A intensificação rápida é definida como aumento de pelo menos 93 km/h na velocidade dos ventos em 24 horas. Polo superou esse critério com folga: 177 km/h de aumento no mesmo período, segundo a CNN Brasil.
Furacões anteriores que também deram esse salto, como Elida, Willa e Jova, levaram 42 horas para ir de furacão a categoria 5. Polo fez o mesmo caminho mais rápido.
O sistema foi alimentado por águas do Pacífico cada vez mais quentes, o mesmo tipo de aquecimento que já derreteu 12,5 trilhões de toneladas de gelo nos polos, segundo cientistas consultados pela CNN Brasil.
Quanto mais quente o oceano, mais energia alimenta o ciclone, e é isso que separa uma tempestade comum de um monstro de categoria 5 em menos de dois dias.
O que o El Niño tem a ver com isso
O fenômeno El Niño está elevando as temperaturas do oceano Pacífico e alimentando uma temporada de furacões hiperativa, segundo os meteorologistas consultados pela CNN Brasil.
O mesmo El Niño também mexe com o Brasil nesta primavera. Ele aumenta a chuva em parte do Sul e do Sudeste do país e reduz a precipitação no Norte e no Nordeste, segundo Inmet e NOAA.
O caso de Polo tem dois precedentes diretos. Em 2015, o furacão Patricia bateu o recorde de intensificação em 24 horas no Pacífico Oriental, com aumento de 193 km/h na velocidade dos ventos.
Em 2023, o furacão Otis teve aumento de 169 km/h em 21 horas antes de atingir e devastar Acapulco, no México.
A previsão do NHC é que o núcleo de Polo permaneça em alto-mar, deslocando-se para noroeste, paralelamente à costa mexicana, até o fim da semana.
O maior risco para o México são as chuvas: Guerrero e Michoacán podem receber entre 76 mm e 152 mm, com picos de até 203 mm até quinta-feira (25).
Há risco de inundações repentinas e deslizamentos de terra na costa sudoeste do país, o tipo de evento que também já atingiu o litoral brasileiro neste ano, em Santa Catarina.
O ponto em aberto
Patricia (2015), Otis (2023) e agora Polo (2026) formam uma sequência de recordes de intensificação no mesmo trecho do Pacífico, cada vez mais próximos um do outro no tempo.
Nenhuma das fontes consultadas nesta reportagem cravou se essa aceleração vai continuar batendo recorde atrás de recorde.
O que os três casos juntos mostram é que o intervalo entre um "furacão forte" e um "furacão máximo" está cada vez menor. É esse padrão, mais do que qualquer tempestade isolada, que fica em aberto para as próximas temporadas.





























