Fãs de música pop, games e cultura nerd lideraram a mobilização pela reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno, segundo estudo do CULTPOP, laboratório de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF). O levantamento identificou mais de 600 grupos de fãs atuando pela campanha.

Batizado "Fandoms em ação: ativismo político e cultura pop nas eleições brasileiras de 2026", o estudo é assinado pelo CULTPOP em parceria com a Unisinos e a PUC-Rio, com mais de 20 pesquisadores.

A equipe passou de 6 a 8 horas diárias analisando Instagram, TikTok, X e Threads entre 3 e 20 de outubro, além de duas pesquisas presenciais em São Paulo entre o primeiro e o segundo turnos.

O levantamento reuniu cerca de 6.500 publicações, mais 180 selecionadas manualmente para análise qualitativa.

Um dos modelos mais usados foi a inteligência artificial generativa para criar memes e deepfakes de Lula. O petista "virou" Madonna, Beyoncé, Lady Gaga e Anitta, e foi inserido em cenas de A Fazenda, do BBB e da novela Avenida Brasil.

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"Muito da população pop digital é queer. Traços como o dark woke são nativos desse público", diz Beatriz Blanco, professora e pesquisadora do CULTPOP. Ela afirma que o movimento foi capitaneado por mulheres e pela comunidade LGBTQIA+.

A pesquisadora aponta que, ao assinar leis de combate ao cambismo digital e de acesso à meia-entrada em shows, Lula fez um aceno inédito a esses grupos de fãs.

"Sempre teve meme em eleição, mas dessa vez houve uma aproximação maior do governo. Esse foi o diferencial dele em relação aos outros candidatos", diz Blanco.

Segundo ela, Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão) eram fortes no ambiente digital, mas não alcançaram esses nichos por não dominar a linguagem usada por eles.

Uma tática que não nasceu na campanha de Lula

O estudo reconhece que a mobilização gamificada, com metas sincronizadas em grupos de WhatsApp e Instagram, "são muito mais comuns nas mobilizações digitais da extrema-direita", segundo o levantamento do CULTPOP.

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Fandoms de Beyoncé, Taylor Swift, Olivia Rodrigo, BTS e Blackpink estavam entre os grupos mapeados pelos pesquisadores.

Relembre a mobilização dos fãs na campanha

Os fã-clubes de Anitta e BTS já haviam se unido para ampliar os votos de Lula no início de outubro. Dias depois, o vice Geraldo Alckmin convocou fãs de Beyoncé, Anitta e BTS para um ato por Lula em São Paulo.

No fim de outubro, a reportagem já registrava como fãs de Beyoncé e BTS tinham virado força política na campanha. O estudo do CULTPOP é a primeira tentativa de quantificar o fenômeno, com mais de 600 grupos mapeados por metodologia acadêmica.