Bancos estrangeiros avaliam que a disparada do dólar após o 2º turno das eleições foi exagerada. A moeda acumula alta de 10,33% frente ao real desde 23 de outubro e subiu 9% numa semana, a maior alta semanal desde 2008.

O movimento acompanhou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Michael Pfister, estrategista do banco alemão Commerzbank, diz que a reação do mercado não pegou ninguém de surpresa.

Esta depreciação não foi inesperada, afinal, o resultado eleitoral representou o pior cenário para participantes do mercado.

Para o Commerzbank, porém, o movimento já foi longe demais: o banco mantém a projeção de dólar em R$ 5,20 até o fim do ano, abaixo do patamar atual, de cerca de R$ 5,40.

Por que os bancos apostam na correção

Álvaro Vivanco, estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, chama a reação dos investidores de "exacerbada" e vê o real sustentado por contas externas sólidas.

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Vivanco cita um fator concreto: a alta do petróleo e das commodities agrícolas melhorou os termos de troca do Brasil, com mais dólares entrando pela balança comercial. O Wells Fargo ampliou a aposta de queda da moeda, mirando o retorno a R$ 5,30.

O banco britânico Capital Economics projeta R$ 5,50 até dezembro, acima da cotação atual, mas aponta um freio: o Congresso eleito é mais conservador e deve limitar a expansão fiscal do governo.

O Goldman Sachs projeta R$ 5,45 em três meses e R$ 5,25 em um ano, mas condiciona a trajetória a dois fatos sem data: o novo ministro da Fazenda e o Orçamento de 2027.

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O que já vinha pressionando o câmbio

A disparada do dólar após o 2º turno não é um movimento isolado: soma-se a outras notícias ruins para o mercado, do Boletim Focus que piorou as contas públicas projetadas ao Ibovespa, que teve a maior queda já registrada numa reeleição.

Nem todo investidor estrangeiro recuou, porém. Fundos internacionais continuaram comprando ações brasileiras mesmo durante a onda de vendas que se seguiu ao resultado das urnas.

O que acontece agora

O mercado aguarda dois sinais do governo para calibrar a aposta no câmbio: o nome do ministro da Fazenda e o Orçamento de 2027. Até lá, o Goldman Sachs trabalha com uma faixa de R$ 5,25 a R$ 5,45 para os próximos 12 meses.