O Departamento de Estado dos Estados Unidos ofereceu, na sexta-feira (6 de novembro), uma recompensa de até US$ 20 milhões por informações sobre o programa nuclear do Irã, em meio a uma escalada que inclui ameaças de ataque a um complexo subterrâneo.

O anúncio ocorre em meio à mediação do Catar para evitar a escalada de um conflito que já dura meses. O programa "Rewards for Justice" (RFJ), do Departamento de Estado, busca dados sobre instalações, equipamentos e pessoal do projeto nuclear iraniano.

Desde o início do conflito, em fevereiro, o RFJ já havia oferecido recompensas por informações sobre figuras de alto escalão do regime iraniano.

Por que os EUA querem essas informações

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) relatou, no ano passado, que o Irã enriquecia urânio a 60% de pureza, ante os 90% necessários para uma arma nuclear.

"O Irã é o único Estado que não possui armas nucleares a produzir urânio em um nível de enriquecimento tão elevado", afirma o comunicado do RFJ.

"Especialistas estimam que essa quantidade, se submetida a um enriquecimento adicional, poderia ser suficiente para a produção de várias armas nucleares", completa o texto.

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O texto do RFJ também cita uma perda de continuidade no conhecimento sobre a produção e o inventário de centrífugas do Irã, pela falta de cooperação do regime com a AIEA.

O que está em jogo em Pickaxe Mountain

Pickaxe Mountain é uma instalação subterrânea nas montanhas Karkas, a cerca de 1,5 km do complexo nuclear de Natanz, já alvo de ameaça direta de Trump. A construção começou em 2020, após um incêndio que o Irã atribuiu a sabotagem.

Segundo Israel, o local guarda parte do estoque iraniano de urânio enriquecido e centrífugas avançadas. Mehdi Mohammadi, assessor do presidente do parlamento iraniano, chamou a instalação de "a mais fortificada do mundo" e disse que um ataque a ela "transformaria a região em um inferno".

Enquanto Washington ameaça, o Catar tenta evitar o pior. "Não podemos esperar para chegar a um acordo perfeito, esperamos chegar a um bom acordo", disse o premiê catari, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, segundo a Al Jazeera.

O Catar já havia proposto o fim da guerra em outubro, e o Irã propõe desde setembro um plano de sete dias, rejeitado até agora por Trump, para suspender o bloqueio a portos iranianos e reabrir o Estreito de Ormuz.

A agência semioficial iraniana Tasnim informou no sábado (7 de novembro) que dois mísseis teriam atingido a Ilha de Qeshm, sem confirmação oficial de danos. Os EUA não anunciaram nenhum ataque a alvos no Irã.

O ponto em aberto

A recompensa por dados sobre o programa nuclear e a ameaça a Pickaxe Mountain correm ao lado da mediação do Catar, iniciada em setembro. O conflito, que começou em fevereiro, já passou por ataques, pausas e propostas de acordo sem desfecho.

O que ainda não está definido é qual dos dois caminhos, o da pressão militar ou o da negociação, vai prevalecer.