O Partido dos Trabalhadores (PT) convocou uma reunião presencial do Diretório Nacional, sua instância máxima, para o dia 13 de novembro. O encontro atende à pressão de dirigentes insatisfeitos com a condução da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A convocação veio depois que uma ala do partido boicotou, na quinta-feira (29 de outubro), uma reunião da Executiva Nacional, instância decisória anterior. O argumento era que aquele não era o fórum adequado para avaliar a campanha.

Sob pressão, o presidente do PT, Edinho Silva, marcou o encontro do Diretório. A expectativa no partido é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador.

O próprio Lula já havia criticado a organização da disputa em fala à militância divulgada acidentalmente em canal do partido.

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"Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou.

Lula fez a fala em 7 de outubro, durante reunião com parlamentares eleitos em um hotel de Brasília para discutir estratégia digital. O discurso era dirigido à militância, mas parte foi ao ar pelo canal do PT no YouTube antes da interrupção da transmissão.

Dirigentes reclamam de concentração de decisões, e líderes estaduais cobram mais autonomia sobre os recursos da legenda. O resultado é uma disputa que pode redesenhar o equilíbrio de poder dentro do PT antes mesmo de o novo mandato de Lula começar.

Os atritos que motivaram a convocação

Além da crítica de Lula, Edinho Silva contrariou aliados ao se candidatar à Câmara dos Deputados, usando o protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.

Candidatos reclamam de desorganização e contam que tiveram que redimensionar gastos depois de uma revisão no valor de recursos repassados já no curso da disputa. Parlamentares eleitos agora reivindicam mais controle sobre os recursos do PT.

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O racha já havia aparecido dias antes, quando o PT distribuiu a responsabilidade pelo resultado apertado entre três aliados próximos de Lula, incluindo o próprio Edinho.

O que acontece agora

No Diretório Nacional, dirigentes locais devem defender que conhecem melhor as conjunturas estaduais e, por isso, deveriam ter mais peso para decidir quais candidatos recebem recursos de campanha.

O exemplo citado no partido é o de Cadu de Lula, eleito governador do Rio Grande do Norte. A reunião também deve pautar a realização de um congresso do PT em 2027 sobre renovação partidária.