Um painel lançado pelo TSE nesta semana mostra 177 processos por violência política de gênero na Justiça Eleitoral entre janeiro e 21 de setembro, alta de 380% sobre o mesmo período de 2024. SP, PR e MG concentram os maiores números.
O painel foi lançado na terça-feira (22), durante o evento "Violência Política TEM Gênero", quando o TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral assinaram protocolo para ampliar a prevenção e o acompanhamento dos casos.
São Paulo soma 29 processos, seguido por Paraná, com 19, e Minas Gerais, com 17. Os três estados concentram 65 casos, cerca de 37% do total nacional. Seis estados não registraram nenhum caso no período: Alagoas, Amapá, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe.
| Estado | Processos |
|---|---|
| São Paulo | 29 |
| Paraná | 19 |
| Minas Gerais | 17 |
| Rio de Janeiro | 14 |
| Santa Catarina | 10 |
| Pará | 9 |
Por que os casos dispararam nos últimos anos?
A série histórica do TSE mostra a escalada. De 2 casos em 2019, o total saltou para 149 entre janeiro e agosto de 2026. A alta de 380% em dois anos motivou o protocolo assinado esta semana.
Passou de 6 casos em 2022 para 13 em 2023, 31 em 2024 e 68 em 2025, sempre no mesmo recorte de janeiro a agosto.
Sonia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres, liga o aumento a dois fatores. A lei de 2021 facilitou as denúncias, e a maior presença de mulheres na política provoca reação violenta.
A historiadora Flávia Calé descreve o fenômeno como forma de conter esse avanço. Ele vai do assédio à candidata até o feminicídio e a supressão do voto.
Um caso concreto ilustra os números do painel. Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao Senado pelo Paraná, protocolou denúncia no Ministério Público Eleitoral em 17 de setembro contra Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Jeffrey Chiquini (Novo).
A denúncia reúne quatro episódios entre março e setembro. Em 22 de agosto, Barros comparou o símbolo de onça da campanha de Gleisi a outros animais, usando imagens geradas por inteligência artificial, e chamou Lula de "sapo barbudo".
Em 9 de setembro, Dallagnol e Chiquini publicaram story com a mensagem "chupa, Gleisi".
A defesa de Gleisi pediu à Polícia Federal abertura de investigação, preservação de publicações nas redes e perícia nos vídeos citados na denúncia.
Nas eleições de outubro, Dallagnol e Barros, que disputam as duas vagas ao Senado pelo Paraná, concorrem na chapa majoritária do PL. Chiquini concorre a uma vaga na Câmara. Nenhum dos três se manifestou publicamente sobre a denúncia até a publicação desta matéria.
O que acontece agora
Se os fatos forem confirmados, o Ministério Público pode oferecer denúncia criminal contra os três citados. Em paralelo, o TSE segue com a fiscalização de ataques coordenados nas redes prevista no protocolo desta semana.






























