O Sudeste respondeu por 4,8 milhões dos 10,3 milhões de votos que Luiz Inácio Lula da Silva somou entre o 1º e o 2º turno, quase metade do crescimento nacional do presidente reeleito. Minas Gerais foi o único estado em que ele virou o resultado.
O resultado também marcou o melhor desempenho do PT no Sudeste em um 2º turno desde 2010, quando Dilma Rousseff venceu José Serra por 51,9% dos votos válidos na região. De lá para cá, nenhum candidato petista havia vencido ali.
Desta vez, o Sudeste deu vitória a Flávio Bolsonaro (PL), com 26,84 milhões de votos (52,76%) contra 24,04 milhões de Lula (47,24%). Mas a vantagem do adversário encolheu de 5,66 milhões de votos no 1º turno para 2,81 milhões no 2º, segundo a CNN Brasil.
O crescimento no Sudeste contrasta com o comportamento do Nordeste, onde Flávio vinha reduzindo o domínio histórico de Lula ao longo da campanha, embora o petista ainda tenha vencido a região por larga margem no 2º turno.
A virada mineira é o símbolo desse movimento. Flávio estava à frente por 589 mil votos no 1º turno; no 2º, Lula passou a liderar por 107 mil votos, decidindo a disputa, segundo a CNN Brasil.
Veja os três estados onde Lula mais cresceu, segundo a Agência Brasil:
| Estado | Votos a mais |
|---|---|
| São Paulo | +2,6 milhões |
| Minas Gerais | +1,1 milhão |
| Rio de Janeiro | +872 mil |
Por que Lula cresceu mais nas capitais?
Segundo Bruno Soller, CEO do instituto Real Time Big Data, o crescimento de Lula foi puxado pelos grandes centros urbanos do Sudeste, onde o crescimento superou a média do primeiro para o segundo turno em todas as capitais analisadas.
Quando olhamos só as capitais, pegando São Paulo, Rio, Belo Horizonte, o crescimento do presidente Lula do primeiro para o segundo turno nessas cidades ultrapassa os 7%.
A frase é de Soller. O resultado surpreendeu o próprio instituto: os 24 modelos probabilísticos calculados por ele indicavam vitória de Flávio Bolsonaro.
Para o cientista político Carlos Melo, professor do Insper, o fator mais decisivo não foi o crescimento do PT, mas a perda de força do bolsonarismo na reta final da campanha, inclusive na cidade do Rio de Janeiro, tradicional reduto da família Bolsonaro.
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No Rio, a cidade votou diferente do estado. Flávio venceu o estado com 53,1% dos votos, mas perdeu a capital, onde Lula teve 51,54% contra 48,46%, revertendo a vantagem que o adversário tinha ali no 1º turno.
Do outro lado, a campanha de Flávio contestou o resultado. Ele pediu a anulação da eleição, pedido que esbarra numa diferença de 35 mil votos, segundo o TSE.
O ponto em aberto
O Sudeste decidiu o resultado sem dar a vitória regional ao vencedor nacional, cenário raro no país. A pergunta que fica é se a aproximação iniciada em 2022 vai se consolidar ou foi um movimento pontual deste pleito.































